Por Luis Jaime Acosta BOGOTÁ (Reuters) - A guerrilha colombiana Farc já entregou à senadora colombiana Piedad Córdoba as coordenadas dos lugares onde libertarão seis reféns a partir de domingo, afirmou a política nesta quarta-feira.

Será a primeira entrega espontânea de reféns desde fevereiro de 2008. Com esse gesto, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) buscam ganhar espaço político e melhorar sua imagem internacional, depois de sofrer duros golpes nos últimos meses, incluindo a morte de vários líderes, o resgate da ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt e a deserção de milhares de combatentes, segundo analistas.

"Já tenho as coordenadas, a libertação já começou, a primeira libertação é no domingo, e serão sucessivas, são três entregas", disse Córdoba a jornalistas.

As Farc anunciaram em 21 de dezembro a intenção de libertar o ex-governador do departamento de Meta Alan Jara, o ex-deputado Sigifredo López, três policiais e um soldado, cujos nomes ainda não foram divulgados.

Mas a libertação deles foi adiada por problemas logísticos e pela exigência da guerrilha de que haja participação de um representante da comunidade internacional, junto com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). O Brasil aceitou ajudar e fornecerá os helicópteros e a logística para a libertação.

O presidente Álvaro Uribe foi contra a participação de governos estrangeiros na libertação, argumentando que não poderia colocar em risco as relações internacionais do país, mas aceitou a participação brasileira.

O inconveniente se solucionou com a decisão de Córdoba de participar da entrega com três colombianos e com delegados do CICV, mas sem um garante internacional, situação que as Farc aceitaram.

A libertação ocorrerá um ano depois de as Farc entregarem quatro políticos numa missão humanitária da qual Córdoba também participou, sob a liderança do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

A senadora disse que as aeronaves brasileiras levarão os emblemas do CICV, e reiterou que as pessoas que a acompanharão na missão humanitária viajarão nas próximas horas para o Brasil, onde terá início a operação para receber os reféns no meio da selva colombiana.

As Farc mantêm 28 reféns de caráter político, que a guerrilha pretende trocar por cerca de 500 militantes presos. Além disso, há também centenas de pessoas sequestradas por motivos econômicos.

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