Farc utilizam território brasileiro, diz Colômbia

Ministro da Defesa afirma que guerrilha tem atividades no Brasil, mas destaca diálogo "cada vez mais próximo" com governo

iG São Paulo |

O ministro da Defesa da Colômbia, Gabriel Silva, afirmou nesta quarta-feira que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) utilizam o território brasileiro para suas atividades ligadas ao narcotráfico.

"Temos informação de que o território brasileiro é utilizado, como acontece com outros países" latino-americanos, declarou Silva à rádio Caracol de Bogotá. Segundo ele, o grupo está presente "no rio Amazonas e em uma cidade de porto livre, como Manaus, para operar e facilitar o tráfico de drogas e a estratégia das Farc".

O ministro destacou que, "felizmente", Colômbia e Brasil mantêm diálogo "cada vez mais próximo". "Reuni-me com as autoridades brasileiras na fronteira. Eles estão realizando um processo difícil de inteligência e estão dispostos a compartilhar as informações conosco, sobre assuntos como a presença das Farc e do narcotráfico" na zona fronteiriça, explicou.

Relatório

No fim de semana, a imprensa brasileira informou sobre um relatório sigiloso produzido pela inteligência da Polícia Federal, datado de 28 de abril, segundo o qual a guerrilha colombiana não só tem violado sistematicamente a fronteira Colômbia-Brasil como tem utilizado o território brasileiro para seus negócios, especialmente o narcotráfico.

O relatório é parte da investigação que levou à prisão, no dia 6 de maio, de José Samuel Sánchez, o "Tatareto", apontado pela Polícia Federal como integrante da comissão de logística e finanças da 1ª Frente das Farc, um dos mais importantes destacamentos da guerrilha colombiana.

O grupo que trabalhava na base brasileira utilizava conhecidas técnicas das Farc. O sistema de comunicação que Tatareto mantinha em seu sítio, perto de Manaus, era acionado em horários predeterminados para contatos com a guerrilha na Colômbia: às 7 horas , às 12 horas e às 17 horas. Na maioria das vezes, os diálogos eram codificados.

A exemplo do que as Farc fazem na selva colombiana para esconder armas e drogas, os dois aparelhos de rádio-comunicação ficavam enterrados, dentro de um tonel. A antena utilizada, que não costuma ser discreta, repousava, cuidadosamente camuflada, entre as copas de duas árvores.

Tatareto - "gago", em espanhol - foi preso com mais sete pessoas. Ele é acusado de comandar uma importante rota do tráfico que usava rios da Amazônia para fazer chegar a Manaus carregamentos de cocaína produzida na selva colombiana pelas Farc. Da capital do Amazonas, a droga era distribuída para outros Estados brasileiros e para a Europa.

A PF afirma que a guerrilha, encurralada na Colômbia pelas operações militares do governo de Álvaro Uribe, chegou a estabelecer bases na Amazônia brasileira. Encarregado da arrecadação de recursos para as Farc, diz o relatório, Tatareto "transferiu sua base operacional para o território brasileiro, de onde poderia coordenar (as atividades) com mais tranquilidade, sem o perigo do confronto armado frequente com as forças oficiais da Colômbia".

Com AFP e AE

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