Farc têm 7 acampamentos no Equador, afirma um ex-integrante

Bogotá, 21 mar (EFE).- Um ex-integrante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) afirmou hoje que a guerrilha mantém sete acampamentos em território equatoriano, nos quais faz negócios de narcotráfico com americanos, espanhóis e argentinos.

EFE |

Carlos Andrés Cuéllar disse hoje, em entrevista à rádio colombiana "Caracol" que, antes de deixar as armas, viu inclusive um general equatoriano ir a um acampamento das Farc avisar que as Forças Armadas de seu país fariam uma operação de patrulhamento naquela região.

Cuéllar, que por sete anos integrou a Frente 48 das Farc, disse que, nesse tempo, viu poucos sequestrados, mas muita droga e armas, que em boa parte, segundo ele, eram procedentes da Venezuela.

"Lá, são poucos os sequestrados, porqueo que se movimenta é narcotráfico e armamento. Chega muita gente de todos os países.

Gente dos Estados Unidos, gente da Espanha, Argentina, de todos os lados", disse.

Ele disse que as Farc receberam uma arma "de alta potência" procedente da Venezuela para uma nova estratégia de guerra contra os militares colombianos, usando morteiros com alcance de cinco quilômetros, em substituição aos cilindros de gás.

Estas armas são parte da estratégia do atual comandante "número 1" das Farc, Guillermo León Sanz, conhecido como "Afonso Cano", segundo ele.

Cuéllar também afirmou que os chefes as Farc "Oliver", "Índio Pitufo", "Julián Conrado" e "Tovar" atuam em território equatoriano em sete acampamentos e com cerca de 200 homens, com a complacência de militares equatorianos.

"O Equador é um refúgio porque quando as tropas e a aviação colombiana começam a acossar muito a guerrilha, seus homens na mesma hora passam para o outro lado (da fronteira)", ressaltou Cuéllar.

A informação bate com a das autoridades colombianas há um ano, quando mataram o então "número 2" das Farc, Luis Edgar Devia Silva, vulgo "Raúl Reyes" e mais 24 pessoas em um acampamento da guerrilha em território equatoriano.

Segundo o governo da Colômbia, diversas facções das Farc se refugiavam no país vizinho, onde não eram devidamente reprimidas.

Após a operação colombiana que matou "Reyes", o Equador rompeu relações diplomáticas com a Colômbia, sem retomá-las até hoje.

Diversos membros das Farc que abandonaram as armas costumam repetir este tipo de testemunho, relacionando autoridades do Equador e da Venezuela como cúmplices da guerrilha na zona de fronteira. EFE fer/jp

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