Farc rejeitam conversas secretas com governo no exterior

BOGOTÁ (Reuters) - A maior guerrilha esquerdista da Colômbia rejeitou nesta terça-feira uma proposta feita pelo governo do presidente Álvaro Uribe para iniciar conversas diretas, secretas e com agenda aberta no exterior. No entanto, o grupo disse que permanece aberto ao diálogo se for realizado no país. A proposta do governo à guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foi feita no dia 5 de março e até o momento era mantida em segredo.

Reuters |

"Conhecida sua carta datada em 5 de março nos propondo diálogos diretos, secretos, com agenda aberta e no exterior, respondemos: Nosso interesse em conversar sobre os temas da convivência democrática com este e outros governos, em busca de acordos, tem sido permanente desde Marquetalia, em 1964", disse o grupo rebelde.

"Lamentamos sim, que sua nota chegou a escassos quatro meses de mudança de governo e que, pouco depois de recebida, tenhamos escutado o presidente afirmar categoricamente, que seu governo não vai conversar com a guerrilha", acrescentaram as Farc em uma carta dirigida ao alto comissionado do governo para a paz, Frank Pearl.

Uribe, que assumiu o poder em 2002 e o entregará no próximo dia 7 de agosto, impulsionou durante seu governo uma ofensiva militar sem precedentes contra as Farc na qual morreram importantes comandantes rebeldes e milhares de combatentes desertaram.

A ofensiva, que permitiu reduzir os sequestros, os assassinatos, os massacres, os assaltos à população e os ataques contra a infraestrutra econômica do país, obrigou a guerrilha a recuar a zonas montanhosas e selvagens.

Uribe, que mantém uma alta popularidade por sua decisão de combater militarmente a guerrilha, apresentou em várias ocasiões a possibilidade de iniciar diálogos com as Farc sob a condição de que fossem suspensas as hostilidades e os ataques, situação que não ocorreu.

O presidente considerou insuficientes as libertações de pessoas sequestradas pela guerrilha e as qualificou como atos para ganhar protagonismo político e limpar a imagem frente à comunidade internacional.

Apesar de rejeitar a proposta do governo, as Farc -- o grupo rebelde ativo mais antigo da América Latina que diz lutar para impor um regime socialista no país marcado por diferenças entre ricos e pobres -- disseram que estão abertas a fazê-lo, mas dentro do país.

"Reiterando que as portas das Farc permanecem abertas, queremos insistir na nossa opinião de que diálogos como o que propõe o governo, convém serem feitos na Colômbia de frente com o país", detalharam em uma carta publicada na página de internet www.anncol.eu.

A última vez que as Farc, consideradas uma organização terrorista pelos Estados Unidos e a União Europeia, participaram de um processo de paz foi entre 1999 e 2002, durante o governo do ex-presidente Andrés Pastrana.

O governo entregou à guerrilha o controle de uma região de 42 mil metros quadrados -- duas vezes o tamanho de El Salvador -- para se concentrarem e negociarem, mas os rebeldes usaram o território conquistado para lançar ataques e se fortalecerem militarmente, segundo o governo.

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