Farc reiteram vontade de troca humanitária e divulgam lista com 29 reféns

BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) manifestaram, nesta quinta-feira, que mantêm sua vontade de troca humanitária sob certas condições, e divulgaram uma lista de prisioneiros de guerra com os nomes de três políticos e 26 soldados e policiais.

Redação com agências internacionais |

"Em um confronto tão intenso como o atual, onde acontecem centenas de combates diariamente e milhares de enfrentamentos por todo o território do país, é compreensível que, além de mortes, aconteçam capturas de integrantes das forças em luta", destacam as Farc em comunicado divulgado pela agência de notícias "Nueva Colombia" ("Anncol").

O chamado Secretariado do Estado-Maior das Farc assinala que "é lógico" que a guerrilha e as famílias dos guerrilheiros presos os queiram "livres, longe da vergonha e da humilhação das prisões gringas (dos Estados Unidos) e dos calabouços de segurança máxima da Colômbia".

"Perante isso, mantemos a proposta de troca humanitária", disse o grupo, que estabeleceu, no entanto, algumas condições para isso.

"Qualquer aproximação ou processo que pretenda avançar na concretização da troca ou de acordos humanitários que protejam a população civil do confronto deve contar com plenas e totais garantias e com a participação e presença de países e governos que inspirem total confiança", afirmam.

No comunicado, as Farc entregam uma relação de reféns que consideram "prisioneiros de guerra".

O ex-parlamentar Óscar Tulio Liscano, o deputado regional do Valle del Cauca Sigifredo López e o ex-governador do departamento de Meta Alan Jara são os três políticos que ainda permanecem em cativeiro.

No mesmo comunicado, os rebeldes reiteram críticas ao governo do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, citam escândalos entre políticos e paramilitares e a investigação dos supostos subornos de alguns parlamentares que, com seus votos, teriam permitido uma reforma da Constituição para permitir a reeleição do atual chefe de Estado.

Resgate cinematográfico

De acordo com o governo e suas forças de segurança, a guerrilha mantinha até o final de junho, 40 reféns sequestrados por motivos políticos, buscando trocá-los por 500 rebeldes detidos em prisões do Estado.

No início de julho, o Exército resgatou, em uma operação cinematográfica na qual enganou as Farc e não fez um só disparo, a ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt e 11 membros do Exército e da polícia que permaneceram sequestrados durante anos na selva.

A guerrilha reiterou que a fuga dos 15 'prisioneiros de guerra' foi um golpe, ocorrido depois da traição de dois comandantes rebeldes.

As Farc exigem que o governo retire o Exército e a Polícia de uma zona montanhosa de 780 quilômetros quadrados no sudoeste do país, para criar uma zona de segurança na qual seus delegados e os do governo se reunam para negociar um acordo humanitário.

(*Com informações das agências EFE e Reuters)

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