Farc reafirmam uso de comunicados para dialogar com sociedade

BOGOTÁ (Reuters) - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) afirmaram nesta terça-feira que manterão o diálogo exploratório com integrantes da sociedade civil para negociar uma solução ao conflito no país e a libertação de seus reféns. Na semana passada, as Farc aceitaram iniciar um diálogo por texto com representantes da sociedade civil, o que foi interpretado por analistas como um gesto positivo que pode contribuir para uma futura negociação de paz com o governo.

Reuters |

"Depois da fuga de Oscar Tulio Lizcano, com ajuda de um desertor, foi iniciado o intercâmbio epistolar com um grupo de mais de 100 colombianos, o que pode levar a uma fórmula que destrave o processo de troca humanitária e obtenha a libertação de todos os prisioneiros", disseram as Farc.

"Mesmo com o incidente, o diálogo epistolar será mantido porque entendemos que a solução política para os problemas da guerra e da paz continua sendo a preocupação fundamental da imensa maioria dos colombianos", afirmou o grupo rebelde em um comunicado divulgado no site www.anncol.eu.

Lizcano, que foi refém na selva por mais de oito anos, fugiu de um acampamento guerrilheiro com a ajuda de um desertor e, há nove dias, se apresentou em um posto do Exército no Estado de Chocó.

O político fazia parte do grupo de 29 reféns que o grupo guerrilheiro pretende trocar por rebeldes encarcerados.

As Farc insistiam na necessidade de o governo retirar o Exército e a polícia de uma área de segurança na qual representantes seus e do presidente colombiano Álvaro Uribe se reúnam para negociar um acordo sobre o destino de prisioneiros --porém, nos últimos dois comunicados que divulgou, o grupo não fez essa exigência.

O gesto soa como bom sinal. Caso negociem com o governo, as Farc podem libertar os reféns --alguns deles estão em cativeiro há mais de dez anos.

Uribe empreendeu uma ofensiva contra as Farc com o apoio dos Estados Unidos. Os guerrilheiros foram obrigados a recuar, isolando-se em zonas de selva e montanha.

Durante a ofensiva, as Farc perderam vários de seus comandantes e muitos combatentes desertaram. No entanto, descartaram uma negociação de paz com o presidente Uribe, a quem acusam de praticar uma política de guerra. Os últimos comunicados também não se referiram ao tema, o que pode significar o abrandamento da posição dos guerrilheiros.

(Por Luis Jaime Acosta)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG