Bogotá, 28 jul (EFE).- As relações entre Colômbia e Venezuela entraram hoje em uma nova crise, agora por causa do suposto desvio de armas venezuelanas para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, congelou as relações diplomáticas e comerciais com a Colômbia devido ao que chamou de acusações "irresponsáveis" de Bogotá sobre lança-foguetes suecos apreendidos com a guerrilha e que teriam sido adquiridos pela Venezuela nos anos 80.

A seguir, uma cronologia dos momentos mais tensos nas relações entre Colômbia e Venezuela desde que Chávez começou a atuar como mediador no conflito com as Farc:.

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2007.

- 5 de agosto: A senadora colombiana Piedad Córdoba pede a Chávez para que defenda diante do presidente colombiano, Álvaro Uribe, um acordo humanitário que permita a troca de reféns das Farc por quase 500 guerrilheiros presos.

- 17 de agosto: O Governo colombiano dá as "boas-vindas" à cooperação de Chávez nos assuntos relacionados aos reféns das Farc.

- 31 de agosto: Uribe e Chávez oficializam em Bogotá a mediação do presidente venezuelano para a troca humanitária.

- 19 de novembro: O Governo colombiano estabelece o dia 31 de dezembro para as negociações de Chávez e Córdoba, ao considerar que não há avanços.

- 21 de novembro: Uribe põe fim à mediação de Chávez e Córdoba por causa dos contatos destes com o alto comando militar do país, apesar da oposição do governante colombiano a tal atitude.

- 22 de novembro: Chávez aceita a decisão "soberana" da Colômbia de pôr fim a sua mediação, mas a considera "lamentável".

- 24 de novembro: O presidente venezuelano diz se sentir "traído" por Uribe e destaca que as relações serão afetadas, enquanto seu colega colombiano reitera sua "disposição de manter um diálogo construtivo".

- 25 de novembro: Chávez anuncia o congelamento das relações com a Colômbia e chama Uribe de "mentiroso". O colombiano, por sua vez, pede a seu colega venezuelano para não "incendiar o continente" e o acusa de promover um "projeto expansionista que não terá entrada na Colômbia".

- 26 de novembro: O presidente venezuelano afirma que Uribe é um "porta-voz da oligarquia antibolivariana".

- 27 de novembro: Chávez nega que conduza um "projeto expansionista" com a riqueza petrolífera de seu país, diz que Uribe é um "triste peão do império" e chama para consultas seu embaixador em Bogotá, Pável Rondón, para avaliar os laços bilaterais.

- 28 de novembro: Chávez afirma que, enquanto Uribe ocupar a Presidência da Colômbia, não terá "qualquer relação" com ele e nem com seu Governo.

- 18 de dezembro: As Farc anunciam que libertarão a ex-candidata à Vice-Presidência colombiana Clara Rojas, seu filho Emmanuel, nascido em cativeiro, e a ex-congressista Consuelo González, em ato de desagravo a Chávez por causa do cancelamento de sua participação nas negociações.

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2008.

- 10 de janeiro: Rojas, com seu filho, e González voltam à liberdade no departamento colombiano de Guaviare, de onde são transferidas a Caracas para se reunir com seus familiares e Chávez.

- 11 de janeiro: Chávez pede à comunidade internacional para que reconheça as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN) como grupos insurgentes e retire os grupos da lista de terroristas, proposta rejeitada por Colômbia, Estados Unidos e União Europeia.

- 16 de janeiro: Chávez assegura que há uma conspiração em Bogotá para matá-lo e gerar um conflito armado entre os dois países, enquanto a Colômbia envia uma nota de protesto a Caracas na qual pede a Chávez para "acabar com as agressões e a ingerência".

- 17 de janeiro: A Assembleia Nacional da Venezuela aprova um projeto que reconhece o status beligerante das Farc e do ELN, enquanto a Chancelaria do país afirma que o Governo de Uribe não está comprometido com a paz.

- 20 de janeiro: Chávez chama Uribe de "covarde, mentiroso, hostil e manipulador" e diz que "um homem assim não merece ser presidente de nada, muito menos de um país, e serve para ser chefe de uma máfia".

- 25 de janeiro: Chávez acusa Uribe de estar "incentivando uma provocação bélica" que poderia "empreender uma guerra" e assegura que os EUA preparam uma agressão militar contra a Venezuela a partir da Colômbia.

- 27 de fevereiro: As Farc libertam os ex-parlamentares Gloria Polanco, Orlando Beltrán, Luis Eladio Pérez e Jorge Eduardo Géchem, em um novo gesto de "desagravo" a Chávez.

- 1º de março: Colômbia anuncia o maior golpe nas quatro décadas de existência das Farc, ao matar o "número dois" e porta-voz internacional da guerrilha, "Raúl Reyes", em solo equatoriano.

- 2 de março: Chávez ordena o "fechamento" da embaixada da Venezuela na Colômbia e a mobilização de "dez batalhões" rumo à fronteira, em rejeição à incursão militar no Equador.

- 7 de março: Chávez anuncia na 20ª cúpula do Grupo do Rio, na República Dominicana, que recebeu provas de vida de seis reféns das Farc.

- 9 de março: As diferenças diplomáticas entre Colômbia e Venezuela são liquidadas na Cúpula de Rio.

- 10 de março: O embaixador da Colômbia na Venezuela, Fernando Marín, retorna a Caracas.

- 15 de maio: Chávez desqualifica o relatório da Polícia Internacional (Interpol), o qual certifica que os computadores de "Reyes", nos quais aparecem documentos que supostamente estabelecem ligações entre as Farc e os Governos da Venezuela e do Equador, não foram alterados.

- 2 de junho: Os chanceleres da Colômbia, Fernando Araújo, e da Venezuela, Nicolás Maduro, retomam na 38ª Assembleia Geral de OEA o diálogo para reativar as relações.

- 8 de junho: Chávez pede às Farc para que libertem incondicionalmente seus reféns.

- 11 de julho: Em Paraguaná (Venezuela), Chávez e Uribe se comprometem a impulsionar a cooperação, após dar como encerrada uma crise diplomática que se estendeu por quase oito meses.

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2009.

- 24 de janeiro: Os presidentes retomam em Cartagena (Colômbia) a recuperação da confiança nas relações bilaterais e anunciam ações para promover o comércio.

- 13 de março: A nova embaixadora da Colômbia na Venezuela, María Luisa Chiappe, assume o cargo. O representante venezuelano, Gustavo Márquez, o faz dois meses depois em Bogotá.

- 21 de julho: Chávez diz que vai revisar suas relações com a Colômbia por causa das negociações para um acordo entre esse país e os EUA para permitir que os americanos usem bases militares em território colombiano.

- O Governo colombiano pede aos países vizinhos para que respeitem o princípio da não ingerência em assuntos internos e defende o convênio de cooperação militar com os EUA.

- 26 de julho: Uribe denuncia que as Farc adquiriram "lança-foguetes nos mercados internacionais" e por isso apresentou uma queixa "por meio dos canais diplomáticos aos respectivos países", que não citou.

- 27 de julho: O vice-presidente colombiano, Francisco Santos, assegura que várias armas que um país europeu "vendeu à Venezuela apareceram nas mãos das Farc".

- 28 de julho: O Governo da Suécia confirma que vários lança-foguetes produzidos nesse país e apreendidos com as Farc foram vendidos à Venezuela no final dos anos 80.

- Chávez ordena a "retirada" de seu embaixador na Colômbia, Gustavo Márquez, assim como o "congelamento das relações diplomáticas e comerciais" entre os dois países, e adverte que romperá definitivamente as relações diante de uma eventual "próxima declaração verbal" de Uribe que signifique uma "nova agressão" à Venezuela. EFE acb/bba

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