Farc prosseguem libertações com a entrega de outros 2 reféns

Missão mediada pela ex-senadora Piedad Córdoba resgata vereador e fuzileiro naval. Restam dois sequestrados para o fim da operação

EFE |

FLORENCIA - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertaram nesta sexta-feira outros dois colombianos em seu poder, o vereador Armando Acuña e o fuzileiro naval Henry López, na segunda fase de uma delicada operação concluída com sucesso e que prosseguirá no domingo com a entrega de mais dois sequestrados.

AFP
Libertado, o vereador Armando Acuña se reencontra com a família e desabafa: "é a hora de dialogar e de buscar o caminho da paz"
Acuña e López se somaram ao vereador Marcos Baquero, posto em liberdade na quarta-feira, e receberão no domingo a companhia do major da Polícia Guillermo Solórzano e do cabo do Exército Salín Sanmiguel. A libertação incondicional dos dois também foi prometida pela guerrilha.

O vereador e o fuzileiro naval foram entregues pelas Farc a uma missão humanitária da qual participaram a ex-senadora Piedad Córdoba, mediadora oficial dos contatos com a guerrilha, membros do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e um integrante da organização civil Colombianos e Colombianas pela Paz (CCP).

A missão foi possível, assim como a da quarta-feira , graças ao apoio logístico do Governo do Brasil, que emprestou dois helicópteros que entraram nesta sexta na selva do departamento de Caquetá para recolher os dois reféns.

Acuña, o primeiro a ser entregue, foi enfático ao pedir após sua libertação que o Governo dialogue com a guerrilha para caminhar rumo a uma troca humanitária de retidos por rebeldes presos, enquanto exigiu às Farc que deixem de usar o sequestro como arma política.

As declarações do vereador contrastaram com a atitude silenciosa de López, que não falou com a imprensa e foi transferido imediatamente para uma clínica privada de Bogotá.

Acuña, de 48 anos, retornou à liberdade vestido com paletó e gravata, o que chamou a atenção por vir da selva em meio a um calor infernal. Depois, explicou que foram as Farc que lhe forneceram as vestimentas, porque disseram a ele: "o senhor chegou bem vestido e vai bem vestido".

Em suas mãos, Acuña levava uma camisa do Atlético Huila, time de futebol do qual é torcedor, quando se reencontrou com a esposa e seus três filhos já na base aérea de Catam, em Bogotá. O vereador foi recebido com um longo e intenso abraço por seus familiares.

Acuña lançou uma mensagem contundente: "quero aproveitar este momento para me dirigir ao Governo nacional, me dirigir da mesma maneira a todos os que pegam em armas, à insurgência em geral, me dirigir ao povo colombiano para propor e pedir união nacional pela paz e a reconciliação".

Acrescentou que  e da reconciliação encarando com dignidade e respeito, realismo e audácia a solução do conflito colombiano".

"A troca humanitária há de ser o primeiro passo em direção a um entendimento amistoso que permita o rápido retorno de nossos irmãos civis e militares privados de sua liberdade, e com o compromisso para que termine o uso do sequestro como arma política dentro do conflito colombiano", manifestou Acuña.

O vereador disse ainda: "não podemos aceitar com indiferença e intolerância que a guerra seja natural".

Por fim, manifestou que "já é alta a parcela de sacrifício dentro desta guerra absurda, e quem está perdendo é o povo colombiano".

Acuña, vereador da cidade de Garzón, no departamento de Huila, foi sequestrado em 29 de maio de 2009 nessa localidade por guerrilheiros que, em plena luz do dia, invadiram a sede do conselho municipal e o levaram.

Na ação morreram dois vigias, um policial e dois soldados. Já López é o que está em cativeiro a menos tempo, desde 23 de maio de 2010, quando uma patrulha da Marinha sofreu uma emboscada em Caquetá, o que deixou o saldo de dez militares e dois rebeldes mortos.

A mediadora do processo, Piedad Córdoba, manifestou em declarações à emissora "Telesur" que os libertos trazem da selva "mensagens de paz".

"Estas realmente são expressões que podem significar a construção de um cenário para a paz no país", avaliou a ex-senadora, que nesta sábado partirá para Ibagué, capital do departamento de Tolima, para prosseguir com a missão humanitária neste processo de libertações.

* Com EFE

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG