Farc propõem diálogo a presidente eleito da Colômbia

Em vídeo, líder do grupo guerrilheiro critica Juan Manuel Santos por impedir que Álvaro Uribe seja "levado à Justiça"

iG São Paulo |

nullO dirigente máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Alfonso Cano, propôs um diálogo com o presidente eleito do país, Juan Manuel Santos, para encontrar uma saída negociada para o conflito armado colombiano.

"O que estamos propondo hoje, mais uma vez, é conversarmos. Continuamos empenhados em buscar saídas políticas. Desejamos que o futuro governo reflita, que não engane mais o país", disse Alfonso Cano.

Cano propôs uma discussão sobre o acordo militar que a Colômbia firmou com os Estados Unidos no ano passado, autorizando que as tropas americanas usem sete bases no território colombiano.

"Temos que conversar. Falaremos da falta de dignidade que representa ter na Colômbia sete bases com tropas militares dos Estados Unidos. Esse ponto precisa ser tocado", advertiu Cano na gravação. Cano também propôs abordar temas ligados aos direitos humanos, ao direito internacional humanitário, aos "prisioneiros de guerra", à propriedade de terras, assim como o modelo político e econômico.

Críticas

Apesar de propor diálogo, Cano também criticou o presidente eleito da Colômbia por impedir que o atual líder, Álvaro Uribe, seja "levado à Justiça".

No vídeo, o líder das Farc diz que o governo Uribe "foi tomado pelo narcotráfico, a corrupção administrativa e a impunidade". Cano disse ainda que a vitória de Santos "garante à oligarquia a continuidade de suas políticas e estratégias" e impõe ao novo governo a tarefa de "recompor o regime político colombiano."

Santos, que foi ministro da Defesa entre 2006 e 2009, é o sucessor político de Uribe. Ao ganhar o segundo turno das eleições presidenciais, em 20 de junho, ele disse que seu governo construirá "sobre o progresso dos últimos anos". 

Foi durante sua gestão na pasta de Defesa que as Farc, o maior e mais antigo grupo guerrilheiro colombiano, sofreram as piores baixas de sua história, com o assassinato de importantes dirigentes como Raúl Reyes e a deserção de milhares de rebeldes. O presidente eleito tomará posse em 7 de agosto.

Vídeo

O vídeo data de 20 de julho, dias depois de um enfrentamento entre Exército e o grupo armado que resultou na morte de doze guerrilheiros que pertenciam ao seu grupo de segurança. Depois do ataque, o governo colombiano chegou a afirmar que estava "próximo" da captura do líder guerrilheiro.

Na apresentação do vídeo, que foi dividido em três partes e divulgado pela revista "Resistencia" e pela rede de TV Al Jazeera, as Farc dirigem a mensagem ao novo governo colombiano e à Unasul (União de Nações Sul-americanas).

"Alfonso Cano", apelido de Guillermo León Sáenz, se tornou o máximo líder do grupo, fundado em 1964, depois da morte por causas naturais do líder-fundador da guerrilha Pedro Antonio Marín, conhecido como "Tirofijo" ou "Manuel Marulanda", em 2008.

Com EFE, BBC e AFP

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