Farc pedem a soldados e policiais que entrem no grupo

Por Luis Jaime Acosta BOGOTÁ (Reuters) - O bloco mais importante da maior guerrilha esquerdista da Colômbia pediu na sexta-feira a policiais e soldados que deixem as forças de segurança e ingressem em suas fileiras a fim de combater os verdadeiros inimigos do país.

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Essa é a primeira vez, ao menos na história recente, que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) conclamam soldados e policiais a abandonarem suas instituições para ingressarem na guerrilha.

No passado, Manuel Marulanda, o fundador e líder máximo das Farc que morreu em março, aparentemente em consequência de um ataque cardíaco, já havia enviado mensagens semelhantes a generais, oficiais e suboficiais, sem nenhum sucesso.

O apelo foi feito pelo Bloco Oriental das Farc por meio do site www.frentean.col.nu.

'Soldados e policiais patriotas: deixem de lado o ódio e apontem suas armas contra o verdadeiro inimigo, os inimigos da Nova Colômbia. É chegada a hora de pedir baixa e retirar-se do Exército, que só defende os interesses do imperialismo e dos endinheirados donos do poder', afirma o comunicado.

'É chegada a hora de se unir com a outra Colômbia, a que se levanta com dignidade, a que desejam ignorar os meios de comunicação, a que desejam varrer do mapa os usurpadores da riqueza com seus planos de terror, a que detestam os politiqueiros e da qual se riem os generais. A Colômbia tem fome e sede de justiça, o que nos incentiva a continuar com esta luta', acrescenta o texto.

CAMPANHA POSSÍVEL

Nenhum dos altos comandantes das Forças Armadas colombianas manifestou-se ainda a respeito do apelo, mas analistas disseram que a mensagem poderia fazer parte de uma campanha das Farc destinada a neutralizar a iniciativa do governo que provocou a deserção de mais de 9.000 de seus combatentes desde o ano de 2002.

O governo do presidente Alvaro Uribe mantém um programa, divulgado através dos meios de comunicação, incentivando a deserção dos guerrilheiros, aos quais se oferecem benefícios jurídicos, recompensas e acesso a programas de saúde e educação como parte de sua reintegração à vida civil.

Além da deserção de combatentes, as Farc, que afirmam lutar em nome da implantação de um sistema socialista nesse país de mais de 44 milhões de habitantes marcado por profundas diferenças na distribuição de renda, sofreram vários contragolpes nos últimos meses em meio a uma ofensiva liderada por Uribe e apoiada pelos EUA.

Além da morte de seu fundador, a guerrilha perdeu os dirigentes Raúl Reyes, Martín Caballero, Tomás Medina Caracas e Jota Jota, em operações militares que obrigaram o grupo rebelde a um recuou estratégico enquanto o Exército e a polícia retomavam o controle de regiões de montanha e de mata.

'Esperamos que venham para este lado com seus fuzis, sua mente e seu coração,' concluiu a mensagem do grupo rebelde.

O Bloco Oriental das Farc é uma das estruturas militares mais atuantes do grupo rebelde e está envolvido com atividades relacionadas ao narcotráfico, marcando presença em uma ampla região do sudeste do país.

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