Novo membro da cúpula da guerrilha é acusado de gerenciar produção e tráfico de cocaína no centro da Colômbia

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) anunciaram na segunda-feira que Félix Antonio Muñoz Lascarro, conhecido como Pastor Alape, entrará para a cúpula política e militar do grupo no lugar de Jorge Briceño, o Mono Jojoy, comandante militar da guerrilha morto na semana passada por forças do governo da Colômbia.

"Informamos que o comandante Pastor Alape é o novo integrante pleno do Secretariado do Estado Maior Central", disse a nota divulgada na internet pelas Farc.

Pastor Alape entrará para a cúpula política e militar do grupo no lugar de Jorge Briceño, o Mono Jojoy
AFP
Pastor Alape entrará para a cúpula política e militar do grupo no lugar de Jorge Briceño, o Mono Jojoy

O governo do presidente Juan Manuel Santos disse que a morte de "Mono Jojoy" foi o maior golpe desferido contra as Farc em mais de quatro décadas de existência dessa guerrilha, acusada de terrorismo e ligação com o narcotráfico.

Alape já era o comandante do Bloco Magdalena Médio, que opera numa ampla região do centro da Colômbia. O governo dos EUA o acusa de supervisionar toda a oferta de cocaína nessa região, além de participar da implantação da política de narcotráfico das Farc, destinada a controlar a produção, o processamento e a distribuição de centenas de toneladas de cocaína.

O Departamento de Estado dos EUA oferece uma recompensa de até US$ 2,5 milhões por informações que levem à sua prisão.

As Farc admitiram a morte de Jojoy e de outros nove guerrilheiros na chamada "Operação Sodoma", realizada pelos militares no sudeste colombiano. A guerrilha acrescentou que "o Bloco Oriental das FARC-EP (Exército do Povo) se chamará a partir de hoje Bloco Comandante Jorge Briceño, que continuará o desenvolvimento dos seus planos sob o mando do comandante Mauricio Jaramillo".

Mais uma vez, a guerrilha afirmou estar disposta a dialogar com o governo, mas rejeitou as condições do presidente Santos, que incluem a libertação de reféns, a suspensão das hostilidades, entrega das armas e reintegração dos combatentes à vida civil.

Mono Jojoy

A morte de Mono Jojoy foi o mais duro golpe contra o grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde que seus dois principais dirigentes morreram em 2008.

Ele foi alvo de um bombardeio lançado pelos militares na zona rural de La Escalera, no município de La Macarena, departamento de Meta, juntamente a outros 20 guerrilheiros. O Exército conseguiu localizá-lo e executá-lo após colocar um GPS (localizador via satélite) em suas botas .


O governo da Colômbia oferecia uma recompensa de US$ 2,7 milhões por Briceño, considerado pelas Forças Armadas o líder guerrilheiro mais violento e sanguinário e acusado de centenas de assassinatos, massacres e sequestros durante o conflito interno colombiano. Ele foi o idealizador da estratégia das Farc de seqüestrar policiais e militares para trocá-los por guerrilheiros presos.

Víctor Julio Suárez Rojas, apelidado de Jorge Briceño ou Mono Jojoy, nasceu em fevereiro de 1953, em Cabrera, no departamento de Cundinamarca, e era membro do secretariado - a instância máxima política e militar das Farc.

Suárez Rojas teria se vinculado ao grupo armado em 1975 como guerrilheiro raso, e pouco a pouco foi subindo na organização até se converter em chefe militar.

* Com Reuters, EFE e AFP

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