Farc liberam o segundo militar refém em três dias

Florença (Colômbia), 30 mar (EFE).- O sargento Pablo Emilio Moncayo foi libertado nesta terça-feira após 12 anos em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em uma bem-sucedida operação humanitária que também permitiu no domingo a entrega do soldado Josué Daniel Calvo.

EFE |

Os dois militares foram os últimos que a guerrilha vai libertar unilateralmente. A partir de agora, as Farc só soltarão sequestrados em troca de rebeldes presos.

Após uma difícil jornada por conta das fortes chuvas na zona onde as Farc tinham convocado a missão humanitária, liderada pela senadora Piedad Córdoba, Moncayo foi finalmente levado à cidade de Florença, no sul da Colômbia, em uma zona de floresta.

O sargento chegou, então, como um homem livre em um helicóptero das Forças Armadas do Brasil, e logo depois se abraçou com seus pais, Gustavo Moncayo e María Estela Cabrera, para depois segurar nos braços a irmã de cinco anos que não conhecia, já que ela nasceu durante seu trágico sequestro.

Em entrevista coletiva posterior, o já ex-refém retirou de seu pai as correntes que carregou nos últimos anos ao redor de seu pescoço e punhos, em sinal de protesto pelo drama dos sequestros na Colômbia.

O pai, o professor Gustavo, conhecido como o "Caminhante pela paz", disse que realizou "um trabalho titânico e incansável" e lembrou que quando iniciou a longa caminhada, que o levou a percorrer mais de 3 mil quilômetros para chamar a atenção sobre o drama dos sequestros na Colômbia, estava muito doente.

"Quando meu pai começou a marcha, eu tinha cinco dias de tratamento médico, pois estava prostrado em uma cama e passei sete meses caminhando com muletas", relatou.

Moncayo, que foi sequestrado quando tinha 19 anos e foi libertado aos 32, passou da adolescência à maturidade nas profundezas de uma floresta, o que o fez refletir muito.

A primeira coisa que fez hoje foi agradecer o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos líderes de Equador e Venezuela, Rafael Corrêa e Hugo Chávez. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, não foi citado.

Por último, o homem, que foi sequestrado quando cumpria serviço militar, em 1997, afirmou que os doze anos de cativeiro lhe serviram para meditar e tomar uma decisão. Ele não confirmou se vai seguir no Exército colombiano.

Sobre seu retorno à liberdade, destacou que foi "assombroso voltar a ver civilização". "Os avanços tecnológicos me deixam admirado", disse, ao ver telefones via satélite, modernos computadores e outras ferramentas de comunicação que teve acesso em sua viagem para a liberdade.

Esta emocionante libertação será, no entanto, a última que as Farc realizarão de forma unilateral. Os guerrilheiros asseguraram que agora só entregarão sequestrados em troca de guerrilheiros presos, incluindo rebeldes extraditados nos Estados Unidos.

Em comunicado distribuído através da Agência de Notícias "Nova Colômbia" ("Anncol"), as Farc assinalaram que com as recentes entregas deve começar um acordo humanitário "imediato", porque o "caminho fica limpo".

A guerrilha, a mais antiga da América, com 45 anos de vida, considera que essa é a "única forma viável, para que, sem menosprezo da integridade física, voltem à liberdade os prisioneiros que estão na selva (sequestrados), assim como os guerrilheiros presos".

As Farc fizeram um chamado à comunidade internacional e ao grupo Colombianos e Colombianas pela Paz (CCP), liderado pela senadora Piedad Córdoba, que intermediou a entrega de 14 sequestrados, incluindo os dois últimos, para que somem vontades e esforços para a troca.

Em entrevista à agência Efe, a senadora tinha expressado anteriormente que essas trocas devem acontecer durante o Governo de Uribe, ou seja, antes do próximo dia 7 de agosto.

O Fundo Nacional para a Defesa da Liberdade Pessoal (Fondelibertad), ligado ao Governo, informou que após a libertação de Moncayo e Calvo, há 77 sequestrados na Colômbia, 48 deles em poder das Farc. A guerrilha anuncia que, entre seus reféns, há 21 passíveis de troca.

A divergência surge em torno da lista apresentada pelas Farc, que fala de 21 "passíveis de troca", e o número do Governo, que contabiliza 22. EFE bog/fm

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