Farc insistem em trocar seqüestrados por integrantes presos

Bogotá, 31 dez (EFE).- A guerrilha colombiana das Farc insistiu em uma troca de guerrilheiros presos em troca dos políticos, militares e policiais que tem seqüestrados, e na busca de um novo Governo que trabalhe por um Assembléia Constituinte para reformas políticas.

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Bogotá, 31 dez (EFE).- As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) insistiram hoje em uma troca de integrantes presos em troca dos políticos, militares e policiais que mantém seqüestrados, e na busca de um "novo Governo que trabalhe por um Assembléia Constituinte para reformas políticas".

As Farc fizeram a afirmação em mensagem de fim de ano, datada de 22 de dezembro e divulgada hoje pela Agência de Notícias Nova Colômbia (Anncol), que costuma publicar seus pronunciamentos.

"Cumprimentamos e manifestamos nossa solidariedade militante nas prisões 'do regime' aos guerrilheiros e a todos os presos 'políticos'. A todos reiteramos que não retrocederemos a luta para cristalizar um acordo humanitário", manifestaram.

A mensagem foi divulgada enquanto se espera que as Farc libertem unilateralmente seis dos mais de 700 reféns que se estima que estejam em seu poder, como anunciaram em 21 de dezembro.

Esses seis seqüestrados fazem parte do grupo que as Farc aspiram a trocar por 500 guerrilheiros presos, caso alcancem um acordo com o Governo do presidente Álvaro Uribe.

Em sua mensagem, as Farc classificaram 2008, quando perderam alguns de seus principais chefes, como "outro ano vergonhoso para os colombianos, caracterizado como nunca por uma sucessão de crimes, corrupção e gravíssimos escândalos".

Além disso, insistiram em sua proposta que afirmar ser de "trabalhar por um novo Governo patriótico, democrático, bolivariano, rumo ao socialismo", e por uma Assembléia Constituinte "que seja respeitada em suas decisões, representativa de todos os setores".

A mensagem das Farc não se referiu aos golpes que lhe deu o Exército neste ano, como a morte de seu segundo comandante, Luis Edgar Devia, conhecido como "Raúl Reyes", em 1º de março em um bombardeio a um acampamento em território equatoriano no qual morreram outras 25 pessoas.

Também não menciona o resgate militar de 15 de reféns, em 2 de julho, entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e os americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves que também eram parte da lista de "passíveis de troca".

As Farc acusaram as Forças Armadas da Colômbia de conivência com paramilitares de direita para causar a fuga de "mais de 4 milhões de pessoas" e o suposto desaparecimento de mais de 25 mil pessoas.

Além disso, o grupo guerrilheiro referiu-se ao escândalo pela detenção de numerosos políticos com nexos com paramilitares de direita e afirmou que o caso "compromete toda a cúpula do Estado".

Criticou o "desperdício militar" do Governo colombiano e assegurou que nos últimos 6 anos Estados Unidos destinaram US$ 10 bilhões ao "imperial, inútil e fracassado Plano Colômbia" contra as drogas e o terrorismo.

No entanto, em 2008, as forças de seguranças colombianas enfraqueceram como nunca as bases da guerrilha, que ainda perdeu seu "nº 1", Manuel Marulanda, cujo apelido era "Tiro Certo", morto de ataque cardíaco.

As Farc acrescentaram que os Estados Unidos procuram "desestabilizar" os Governos vizinhos da Colômbia como o do presidente venezuelano Hugo Chávez e o equatoriano Rafael Correa.

"O capitalismo mundial vive sua pior crise em muitos anos e os efeitos do colapso neoliberal e do capitalismo selvagem atropelam milhões de seres humanos", concluíram as Farc, que além de manter mais de 700 reféns estima-se que já tenham matado mais de 30 mil pessoas, em 44 anos de atividade. EFE gta/jp

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