Farc flexibilizam exigências para troca de reféns

BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) aceitaram uma proposta que, visando acelerar a troca de militares e policiais em seu poder pela libertação de aproximadamente 500 insurgentes presos, prevê a flexibilização de suas exigências para a desmilitarização dos territórios em que aconteceriam as negociações.

EFE |

O anúncio da guerrilha aceitando essas condições é feito numa carta divulgada hoje pelo site da "Agência de Notícias Nova Colômbia" (Anncol), que geralmente divulga os pronunciamentos do grupo rebelde.

A mensagem, que é assinada pela cúpula da guerrilha e tem a data de ontem, é uma resposta a pedidos de personalidades lideradas pela senadora opositora Piedad Córdoba, que já conduziu a libertação de vários políticos e militares sequestrados pelas Farc.

Nela, as Farc dizem estar dispostas a aceitar um diálogo para a troca humanitária, com a condição de que observadores e representantes internacionais participem dele.

Embora um acordo para a troca de reféns por rebeldes presos seja uma possibilidade estudada há cerca de seis anos, ele sempre dependeu da disposição do Governo em desmilitarizar uma extensa área do departamento (estado) de Valle del Cauca, exigência das Farc que o presidente Álvaro Uribe nunca aceitou.

No entanto, na carta de ontem, as Farc minimizaram importância da exigência para a desmilitarização dos municípios de Florida e Pradera (Valle del Cauca), da qual eles faziam questão para se sentar à mesa com o Governo.

"Queremos reiterar que estamos prontos para a troca de prisioneiros de guerra e dispostos a não fazer do local do diálogo um obstáculo não superável (...)", disseram as Farc ao grupo Colombianos pela Paz, dirigido por Córdoba.

Porém, os guerrilheiros pediram "garantias efetivas" para que seu trio de representantes, integrado por Pablo Catatumbo, Carlos Antonio Lozada e Fabián Ramírez, possa participar das gestões, e que a forma, o tempo e local do diálogo sejam definidos e divulgados "com suficiente antecipação".

Com as várias libertações, resgates, fugas e mortes de reféns no último ano, o grupo de sequestrados "passíveis de troca" em poder das Farc diminuiu para 22 pessoas. Com seu poder de barganha cada vez menor, a guerrilha parece ter adotado uma postura menos combativa e mais diplomática.

"Temos certeza de que a recente libertação unilateral de seis prisioneiros a pedido de sua importante gestão estimula o esforço coletivo que busca a solução para o imenso drama que vive a Colômbia", disseram as Farc na carta à senadora Córdoba.

Na mesma mensagem, os líderes das Farc também prometeram enviar provas de vida dos militares e policiais sequestrados, se referiram aos pedidos para que o grupo deixe o sequestro como fonte de receita e, depois de negar que têm 3 mil reféns, garantiram que só mantêm nove pessoas em seu poder.

Os rebeldes disseram ainda que o corpo do major da Polícia Julián Ernesto Guevara, morto em cativeiro após uma "rara" doença, será entregue "à mãe em data e local a serem indicados mais adiante, quando a situação de ordem pública permitir".

Em contrapartida, cobraram das autoridades a entrega dos restos mortais do então segundo homem na hierarquia das Farc, Luis Edgar Devia, mais conhecido como "Raúl Reyes", que perdeu a vida numa incursão colombiana contra um acampamento da guerrilha em solo equatoriano no dia 1º de março do ano passado.

As Farc pediram ainda os restos de "Ivan Ríos", outro integrante da cúpula rebelde, assassinado em março de 2008 por um guarda-costas interessado na alta recompensa oferecida pelas autoridades.

Na carta, os insurgentes também expressaram sua confiança em "alternativas políticas para a elaboração do projeto de uma nova sociedade mais equilibrada, inclusiva e justa".

Apesar de todas essas demonstrações, ontem, em virtude dos recentes ataques e planos da guerrilha para matar o ministro da Justiça, o presidente colombiano já descartou a possibilidade de diálogo, e ainda afirmou que é preciso ter "firmeza com os terroristas".

"Que diálogo pode haver com estes bandidos que colocam explosivos perto das escolas e no caminho das crianças? O diálogo é com a democracia. O diálogo não é com os terroristas", afirmou o chefe de Estado.

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