Farc entregarão restos mortais de militar na quinta-feira

BOGOTÁ - Os restos mortais do oficial de polícia Julián Ernesto Guevara, em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), serão entregues na quinta-feira a uma comissão humanitária em um ponto de floresta no sul da Colômbia, informou na noite de terça-feira o Alto Comissariado para a Paz no país, Frank Pearl.

EFE |

Em declarações a jornalistas, Pearl assinalou que as Forças Militares e de polícia suspenderão as operações militar a partir das 18 horas (20 horas em Brasília) locais desta quarta-feira, na região onde ocorrerá a entrega.

Embora não tenha informado por quanto tempo serão suspensas as operações militares, acredita-se que o período será de 36 horas, assim como nas operações de libertação do soldado Josué Daniel Calvo , no domingo, e do sargento Pablo Emilio Moncayo , na terça-feira.

Os restos mortais que serão entregues serão submetidos a testes de DNA para confirmar se de fato são do corpo de Guevara, que morreu em cativeiro quando estava sob poder das Farc.

Doze anos em cativeiro

Moncayo, que estava em cativeiro desde 1997, quando tinha 19 anos, era o refém mais antigo das Farc juntamente com o soldado Libio José Martínez Estrada, que ainda permanece sequestrado.

O pai de Pablo, o professor Gustavo Moncayo, comemorou a notícia. "A emoção é muito grande, graças meu Deus. Bem-vindo à liberdade Pablo Emilio, vamos romper essas correntes e lutar pela liberdade dos demais companheiros (reféns)", disse ele, emocionado, ao mostrar as correntes que traz presas às mãos, símbolo de sua luta pela libertação do filho.

Caminhante pela paz

O sequestro de Pablo Emilio ganhou notoriedade principalmente por causa de seu pai, conhecido como " Caminhante pela Paz ". O professor realizou caminhadas dentro e fora da Colômbia com uma corrente presa ao corpo para exigir ações que resultassem na libertação do filho e em uma saída negociada para o conflito que dura mais de seis décadas.


Gustavo e Pablo comemoram libertação / Foto: EFE

O cabo Pablo Emilio Moncayo foi sequestrado em dezembro de 1997 - apenas 18 meses depois de ter ingressado no Exército - juntamente com outros 17 soldados, em um ataque da guerrilha a uma base de operações do Exército colombiano no Departamento de Nariño.

Dez militares morreram durante o enfrentamento com os rebeldes. Deste grupo de sequestrados, 16 militares já foram soltos.

Com as libertações de  Calvo e Pablo Moncayo chega ao fim o processo de libertações unilaterais e incondicionais por parte das Farc que vinham ocorrendo desde o ano passado, quando seis reféns foram soltos.

A partir de agora, as Farc pretendem retomar o diálogo para concretizar um controvertido acordo humanitário que colocaria em liberdade os 22 militares que ainda estão em poder dos rebeldes, em troca da libertação de centenas de guerrilheiros presos.

Agenda eleitoral

Nos últimos dias, o possível acordo entre o governo e a guerrilha passou a ser o centro da agenda político-eleitoral colombiana, a poucos meses das eleições presidenciais, previstas para maio.

Para a senadora Piedad Córdoba, a principal mediadora entre o governo e as Farc, o acordo humanitário deveria ocorrer antes do final do mandato do presidente colombiano, Álvaro Uribe. Caso contrário, afirmou, um acordo "seria difícil" e poderia demorar "pelo menos outros dois ou três anos" na gestão de um novo governo.

Segundo a parlamentar, as Farc já têm uma proposta que deve ser entregue pelo movimento Colombianos pela Paz ao presidente colombiano.

*Com informações da BBC

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