Farc entregam soldado sequestrado à missão humanitária

As Forças Armadas Revolucionários da Colômbia (Farc) entregaram neste domingo a uma missão humanitária o refém Josué Daniel Calvo na selva do sul do país. A informação foi confirmada por Ricardo Montenegro, porta-voz do movimento Colombianos e Colombianas pela Paz (CCP).

iG São Paulo |

Depois de mais de dois anos em cativeiro, o soldado colombiano Calvo foi libertado. O CCP portou no site Twitter a seguinte mensagem: "Torna-se realidade a primeira das libertações", escreveram os representantes do grupo.

EFE
Helicóptero brasileiro cedido para missão
Com um ferimento na perna, Calvo deve ser levado ao Hospital Militar de Bogotá para receber atendimento. O soldado é o primeiro dos dois reféns que as Farc prometeram libertar entre este domingo e terça-feira. O sargento Pablo Emilio Moncayo deve ser liberado nos próximos dias, após 12 anos de cativeiro.

Desde o sequestro do filho, o professor Gustavo Moncayo, conhecido como "Caminhante pela Paz" passou a realizar caminhadas dentro e fora da Colômbia com uma corrente presa ao corpo para exigir ações que resultassem na libertação do filho e em uma saída negociada para a guerra que dura mais de seis décadas.

Resgate

A bordo do helicóptero brasileiro que foi cedido à operação, a missão de resgate foi composta pela senadora colombiana Piedad Córdoba, principal mediadora entre governo e a guerrilha, um representante da Cruz Vermelha Internacional, o bispo Leonardo Gómez Serna, além de dois pilotos brasileiros.

Calvo, o refém que menos tempo levava em cativeiro, foi preso em abril de 2009, na zona rural de Vista Hermosa, no departamento de Meta, região central do país.

As Farc afirmam que o militar foi abandonado ferido por seus companheiros do Exército durante um enfrentamento com os rebeldes. O governo nega essa versão e diz que Calvo foi capturado pela guerrilha nesta ocasião.

Acordo humanitário

Horas antes do resgate de Calvo, a senadora Córdoba advertiu que esta será a "última entrega" de reféns que as Farc farão de maneira unilateral e incondicional, como vinha ocorrendo desde o ano passado, quando seis reféns foram colocados em liberdade.

EFE
Gustavo Moncayo aguarda o filho
O grupo armado busca negociar um acordo humanitário com o governo que prevê a libertação de pelo menos 500 guerrilheiros presos em troca de 22 oficiais - entre soldados e policiais - que fazem parte do chamado grupo de "prisioneiros de guerra" da guerrilha.

Na semana passada, Córdoba pediu ao alto comissário para a Paz na Colômbia, Frank Pearl, que desenhasse uma proposta de acordo para ser concretizada antes do fim do mandato do presidente Álvaro Uribe, que termina em agosto.

"Não é necessário desmilitarização, apenas uma mediação internacional", afirmou a senadora.

Por enquanto, o governo Uribe resiste a negociar com a guerrilha e insiste nos resgates forçados como saída para libertar os demais oficiais presos.

* Com informações da BBC e da EFE

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