Farc entregam oito reféns à Cruz Vermelha

Por Nelson Bocanegra BOGOTÁ (Reuters) - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) entregaram à Cruz Vermelha oito colombianos que passaram uma semana em cativeiro, disse a entidade na quinta-feira.

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Os reféns haviam sido sequestrados no dia 17, quando faziam turismo de lancha no Departamento do Chocó (noroeste).

'A operação foi possível graças à interlocução confidencial e discreta das partes envolvidas, e sob a ação humanitária, neutra e independente do CICR [Comitê Internacional da Cruz Vermelha]', disse nota da entidade, sem identificar os libertados e atribuindo a iniciativa da operação às Farc.

A mediação da Cruz Vermelha atenua os temores de que esse tipo de esforço ficaria inviabilizado depois que, no dia 2, o governo usou o emblema da entidade sem a sua autorização na operação que resultou na libertação da ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt e de mais 14 reféns das Farc.

'É importante que todas as partes envolvidas no conflito da Colômbia continuem confiando na nossa organização e tendo respeito pelo emblema da Cruz Vermelha', disse Yves Heller, porta-voz da organização no país.

A Cruz Vermelha abriu mão de medidas jurídicas contra a Colômbia depois que o presidente Álvaro Uribe reconheceu que foi um erro ter usado o emblema, que está protegido pelo direito internacional humanitário.

Horacio Palacios, um dos libertados, disse a jornalistas que os rebeldes deixaram claro que vão continuar realizando seqüestros na região se os empresários do transporte fluvial não pagarem um pedágio à guerrilha.

'Nos mandaram um recado aos das empresas de que, se não se entenderem, cada barco que pegarem será um barco a ser afundado, e o motorista [piloto] que assumir vai por sua responsabilidade, porque vão matá-lo', relatou.

Além de cerca de 25 reféns 'políticos', que podem ser trocados por guerrilheiros presos, as Farc mantêm centenas de pessoas seqüestradas com a intenção de receber resgates em dinheiro.

A guerrilha sofreu duros golpes neste ano, como a morte de seu fundador, Manuel Marulanda, e alguns observadores acham que isso pode alterar seu funcionamento. 'À medida que as Farc começam a se fragmentar, esperamos ver mais seqüestros individuais, como uma frente desesperada para conseguir dinheiro', disse o analista César Restrepo, da Fundação Segurança e Democracia.

(Reportagem de Nelson Bocanegra, com colaboração de Hugh Bronstein)

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