Farc encerram entrega unilateral de reféns com libertação de ex-deputado

Bogotá, 4 fev (EFE).- O ex-deputado regional Sigifredo López será libertado nesta quinta-feira pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e voltará para casa, em Cali, após quase sete anos de sequestro, se a entrega ocorrer sem problemas.

EFE |

Os helicópteros fornecidos pelo Brasil para a missão humanitária chegaram hoje a Cali, capital do departamento de Valle del Cauca, e na quinta-feira partirão, por volta das 8h (11h de Brasília), em busca do político.

A volta para casa do político colocará fim à libertação de seis reféns prometida pela guerrilha, que, no domingo, entregou três policiais e um soldado e, na terça-feira, o ex-governador Alan Jara à missão humanitária liderada pela senadora de oposição Piedad Córdoba.

A família de López, particularmente sua esposa Patricia Nieto, os dois filhos dele e sua mãe, Nelly Tobón, o aguardam com camisetas com a fotografia do ex-parlamentar.

Em frente à casa da família há uma faixa com a frase: "Sigifredo pela vida e pela liberdade".

López é o único sobrevivente dos 12 membros da assembleia departamental de Valle del Cauca sequestrados pelas Farc em 11 de abril de 2002 em um violento ataque à sede da corporação, no centro de Cali, capital regional.

Nesse dia, um comando das Farc invadiu a assembleia, após assassinar um policial, e fez os deputados regionais acreditarem que se tratava de uma evacuação por causa de uma bomba instalada no local.

Os políticos foram levados em um ônibus em direção às montanhas que cercam Cali e, ali, foram notificados de que era um sequestro e levados ao alto da cordilheira, onde quase todos seriam fuzilados.

Os 11 companheiros de López foram assassinados em junho de 2007 em uma troca de tiros, segundo as Farc, mas as autoridades afirmam que os guerrilheiros os mataram como vingança pela captura do líder da frente que os havia capturado em um combate com o Exército.

A entrega dos restos dos legisladores foi outro calvário aos parentes, que conseguiram, por fim, enterrá-los semanas mais tarde em Cali.

Sigifredo López conseguiu se salvar porque tinha ficado doente e sido levado a outro acampamento rebelde.

Assim como na operação de domingo e de terça-feira, os helicópteros Cougar, tripulados por pilotos civis brasileiros, partirão rumo a um lugar não definido, desta vez aparentemente nas montanhas que margeiam o Pacífico colombiano, 600 quilômetros ao sudoeste de Bogotá.

Participarão da operação Córdoba e delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

O delegado da entidade na Colômbia, Christophe Beney, confirmou hoje a contratação de um piloto civil colombiano para que ajudasse a dirigir as aeronaves, devido à complexidade do voo.

"Contratamos um piloto civil colombiano para que acompanhasse, só para este trajeto, os pilotos brasileiros pela viagem perigosa e delicada, e não queríamos arriscar nada", declarou Beney.

A mãe de Sigifredo López pediu ao refém "um pouco mais de resistência, já que restam poucas horas para ser libertado".

"Estaremos esperando por ele com muita ansiedade, para que chegue o momento em que esteja unido com sua esposa, seus filhos e comigo, porque os sonhos são muitos de voltar a tê-lo no seio do lar", afirmou Nelly Tobón.

A família do ex-deputado teve uma prova de sua sobrevivência em 30 de março, quando o refém insistiu na necessidade de uma troca humanitária de sequestrados por guerrilheiros presos, e, em junho, chegaram as últimas informações sobre ele.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, que na terça-feira visitou Alan Jara em Villavicencio, centro, disse que insistirá no cerco humanitário ou resgate dos 22 membros da polícia que permanecem sequestrados e que as Farc querem trocar por rebeldes presos.

"Estamos prontos para a paz, não para o engano; estamos prontos para o acordo humanitário, não para reforçar o terrorismo", afirmou o governante.

A missão humanitária calcula que voltará a Cali ao meio-dia de quinta-feira e, nesse momento, espera-se um reencontro do ex-deputado com seus parentes e seguidores políticos. EFE gta/db

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