Farc e extrema direita podem ter lançado ataque em Bogotá

Autoridades não descartam nenhuma hipótese em relação a primeiro ataque a bomba na capital colombiana desde 2006

iG São Paulo |

A guerrilha marxista das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e a extrema direita armada podem ser os autores do ataque com carro-bomba em Bogotá na quinta-feira , indicaram as autoridades colombianas nesta sexta-feira. O atentado poderia estar dirigido contra a Rádio Caracol. Segundo o último balanço das autoridades, 808 pessoas foram afetadas, das quais 36 com ferimentos leves (todas já receberam alta), e 424 casas foram danificadas em consequência da explosão.

O ministro da Defesa colombiano, Rodrigo Rivera, disse que não descarta hipótese alguma, enquanto o procurador-geral, Guillermo Mendoza, ressaltou que se acredita que a emissora de rádio era o alvo do atentado, classificado pelo governo de "ato terrorista".

"Queremos saber a verdade, que os responsáveis sejam punidos, e, por isso, demos a instrução expressa para que todas as hipóteses sejam contempladas com o mesmo rigor", disse Rivera em declarações à Caracol.

A imprensa especulou, com base em informações de organismos de inteligência, que o atentado pode ter sido obra das Farc como um ato de "recepção" para o novo presidente Juan Manuel Santos . Outras versões indicam que poderia se tratar de uma ação da extrema direita em reação à possibilidade de um diálogo com a guerrilha mencionada por Santos em seu discurso de posse no sábado .

"Apenas no momento em que tirarmos conclusões baseadas em evidências, e não em suposições ou preconceitos, vamos compartilhá-las com os cidadãos", advertiu Rivera.

Já o procurador Mendoza, depois de concordar com Rivera sobre a atribuição prematura do atentado, disse que também não é certo que o alvo tenha sido as instalações da Caracol. "Sobre o alvo, a única pista que temos é de que o ponto mais sensível na região são as instalações da Caracol", disse em declarações à emissora de rádio.

Manifestação

Na noite de quinta-feira, cerca de 500 pessoas se concentraram perante o edifício que abriga as sedes da "Caracol Rádio", do grupo espanhol Prisa e da "Agência Efe" em Bogotá em resposta ao ataque, que causou grande comoção em todo o país.

Com cartazes rejeitando o terrorismo e a violência, os manifestantes carregaram lenços brancos e velas. O grupo incluiu jornalistas, líderes sindicais, representantes de ONGs e autoridades civis. Os cidadãos foram se reunindo desde o fim da tarde em frente ao edifício, em resposta a uma convocação popular que foi se estendendo sobretudo pelas redes sociais da internet e diferentes meios de comunicação.

AFP
Foto divulgada por assessoria de imprensa do presidente da Colômbia mostra Juan Manuel Santos (de gravata verde) em local da explosão de carro-bomba em Bogotá
"Estamos solidários com os meios de comunicação e afirmamos que mesmo que ponham bombas em todas as partes, a sociedade civil vai responder com mobilização. Chega de violência", disse Hugo Ospina, presidente de um sindicato de taxistas.

Uma concentração pacífica, que teve participação também da imprensa e de organizações sociais e internacionais, entre eles do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos na Colômbia, Christian Salazar. Também participaram Esteban e Martín Santos, filhos do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que ficaram sabendo da manifestação pelo serviço de microblogs Twitter.

"Esses eventos terroristas não nos vão assustar, não nos vão intimidar. Estamos aqui para mostrar a força, a serenidade e principalmente a personalidade e pujança do povo colombiano", afirmou o prefeito de Bogotá, Samuel Moreno, outro que foi apoiar a manifestação.

O atentado, realizado às 5h30 locais na quinta-feira (7h30 em Brasília) , com um veículo que continha 50 quilos de explosivos, provocou grandes danos materiais em vários edifícios da região, onde há muitos imóveis e escritórios.

A explosão, que não provocou uma tragédia maior porque havia poucas pessoas na rua e os escritórios ainda estavam fechados, comoveu a capital colombiana. Desde outubro de 2006 não havia um atentado a bomba na cidade.

No local do atentado há um complexo formado por um edifício principal e dois anexos, todos eles dedicados a escritórios, onde empresas, escritórios de advogados e consultoras, muitas delas estrangeiras, têm suas sedes.

*Com AFP e EFE

    Leia tudo sobre: colômbiaataquebogotájuan manuel santosfarc

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG