Farc descartam libertação unilateral de reféns

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) disseram em um artigo publicado nesta quinta-feira que não haverá novas libertações unilaterais de reféns. O grupo rebelde considerou inadmissíveis os pedidos para novos gestos de paz.

BBC Brasil |

"Somente como conseqüência de uma troca de prisioneiros sairão livres os que estão em cativeiro em nossos acampamentos", diz o artigo publicado na Agência Bolivariana de Imprensa (ABP, na sigla em espanhol) e assinado por Rodrigo Granda e Jesús Santrich, líderes do grupo guerrilheiro.

A publicação do artigo ocorre em meio à expectativa em torno da entrada na selva colombiana de uma missão médica coordenada pelo governo da França para atender à refém Ingrid Betancourt, ex-candidata à presidência da Colômbia que tem dupla nacionalidade colombiana e francesa.

Na última semana, informações sobre o grave estado de saúde de Betancourt, seqüestrada pelas Farc em 2002, levaram o governo francês a organizar uma comissão médica integrada também por representantes da Espanha e da Suíça. Betancourt teria iniciado uma greve de fome e contraído hepatite B e leishmaniose.

A missão chegou à Colômbia nesta quinta-feira, mas as Farc ainda não responderam se irão autorizar a entrada em seu acampamento.

"Não é admissível que nos peçam mais gestos de paz, quando depois de tantas mostras fidedignas de nossa vontade política para encontrar saídas para o conflito nos respondam com infâmia e má intenção", diz o artigo.

Em duas missões de resgate, realizadas em janeiro e fevereiro, a guerrilha libertou unilateralmente seis reféns, que haviam sido mantidos em cativeiro durante seis anos.

Resposta

O comunicado desta quinta-feira é a primeira resposta das Farc às declarações do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que ofereceu dar facilidades para que a guerrilha entregasse de maneira unilateral Betancourt e outros 39 reféns.

"E que ninguém se faça de inocente, porque todos que estão em cativeiro são responsáveis da incitação da guerra. A começar por Ingrid (...)", diz o texto.

As negociações para um acordo humanitário, que já vinham sofrendo uma série de impasses, foram encerradas desde que Raúl Reyes, interlocutor das Farc nas negociações, foi morto após uma incursão militar do Exército da Colômbia contra um acampamento do grupo rebelde no Equador, dia 1º de março.

O acordo prevê a libertação de 500 guerrilheiros em troca de 39 reféns, entre eles Ingrid Betancourt.

Para fazer a troca, as Farc exigem a desmilitarização de uma região de 750 quilômetros. Uribe, no entanto, se nega a realizar uma retirada militar.

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