Farc demonstram mais flexibilidade em busca de acordo humanitário

Bogotá, 9 fev (EFE).- As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) reafirmaram em duas mensagens divulgadas hoje que só libertarão 22 militares e policiais sequestrados através de uma troca por 500 guerrilheiros presos.

EFE |

No entanto, o grupo não incluiu outra exigência que o Governo colombiano sempre rejeitou: um território desmilitarizado para negociar.

Hoje, vieram a público as mensagens entregues à senadora de oposição Piedad Córdoba pelas Farc quando liderou, na semana passada, uma missão para resgatar seis reféns libertados unilateralmente pela guerrilha.

Consultada pela Agência Efe, Córdoba, congressista do Partido Liberal Colombiano (PLC), disse que não faria comentários sobre as notas que recebeu das Farc na quinta-feira passada, quando viajou para uma região da selva para recolher o último dos seis libertados, o ex-deputado regional Sigifredo López.

Uma das mensagens está assinada por Guillermo León Sánchez, conhecido como "Alfonso Cano", chefe máximo das Farc, e o outro pelo Secretariado do Estado-Maior Central da organização.

As Farc insistem em condicionar o destino dos sequestrados com fins políticos à negociação de um acordo de troca humanitária com o Governo colombiano há dez anos.

A organização, que segundo o Governo possui em seu poder cerca de 700 pessoas, a maioria com objetivos de cobrança de resgate, manteve essa postura apesar de ter perdido seus mais importantes reféns, a franco-colombiana Ingrid Betancourt e três americanos.

Eles foram resgatados junto a outros 11 sequestrados em julho em uma operação militar disfarçada.

Entre os insurgentes presos que as Farc querem incluir na troca estão dois guerrilheiros extraditados aos Estados Unidos, "Simón Trinidad" e "Sonia".

"Devemos persistir na busca dos acordos sem esquecer por nem um momento Simón, Sonia e todos os nossos presos", advertiu o chefe máximo das Farc na mensagem.

Cano agradeceu a Córdoba e ao grupo de intelectuais que lidera, o Colombianos pela Paz, ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e ao Governo brasileiro, que forneceu dois helicópteros, por sua participação na operação para possibilitar as libertações.

O Secretariado das Farc enviou ao Colombianos pela Paz uma "voz de estímulo", e convocou o grupo a "persistir na busca coletiva de uma saída política ao acordo humanitário e ao crucial problema da guerra e da paz".

"Desejamos que este novo gesto (entrega de reféns) contribua para abrir o caminho em direção ao acordo de troca obstruído pelo Governo", acrescentou o comando central.

"A Colômbia inteira deseja comemorar através de um acordo bilateral a libertação dos prisioneiros de guerra detidos tanto nas prisões do regime, quanto nas montanhas", afirmou.

Ao contrário de em outras mensagens, nestas as Farc não mencionam como condição para a abertura de negociações a desmilitarização de um território, um requisito que sempre foi rejeitado pelo presidente Álvaro Uribe.

Córdoba não quis fazer comentários sobre as mensagens, mas observou que "a carta (de Cano) diz" qual é a saída, de acordo com as Farc, para a crise de reféns.

No entanto, o especialista Jaime Zuluaga Nieto, de outro coletivo de busca pela paz, afirmou à Efe que, neste assunto, "o contexto mudou um pouco, e isso é muito importante".

O advogado, sociólogo, professor universitário e um dos porta-vozes da Assembleia Permanente da Sociedade Civil pela Paz disse ser um avanço que os rebeldes tenham feito libertações unilaterais sem exigir um território desmilitarizado.

Outra coisa positiva foi que não tenham suspendido o processo de libertação como resposta pelos voos militares que colocaram em risco a primeira fase da missão, na qual três policiais e um soldado recuperaram a liberdade, em 1º de fevereiro.

O especialista considera também um progresso que o Governo tenha aceitado a interlocução civil (de Colombianos pela Paz), assim como a participação do CICV e do Governo brasileiro.

Até agora, o Executivo de Uribe não fez qualquer comentário, mas no domingo o presidente colombiano afirmou estar disposto a alcançar um acordo humanitário, mas com a condição de que os rebeldes que aderirem a ele se transformem em "gerentes de paz". EFE jgh/db

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