As Farc criaram células clandestinas para sua expansão internacional com uma rede de apoio em 17 países, informou neste domingo o jornal espanhol El País, que assegurou ter tido acesso aos documentos do computador do ex-número dois da guerrilha colombiana, Raúl Reyes, morto no Equador.

Segundo El País, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) organizaram uma estratégia que incluía grupos legais, células clandestinas e novas unidades guerrilheiras.

Essa "ofensiva diplomática", que tentou obter apoio na América Latina, teve como "aliado providencial" o presidente da Venezuela, de acordo com o diário, que desde sábado publica uma série de artigos nos quais acusa Hugo Chávez de ajudar as Farc.

A estratégia foi posta em marcha em 2002, ano difícil para as Farc, segundo El País, porque foi marcado por sua inscrição na lista de organizações terroristas da União Européia (UE) e pela chegada ao poder do presidente colombiano, Alvaro Uribe.

O periódico assegura ter tido acesso aos documentos do computador de Reyes, que morreu no dia 1º de março na fronteira entre Equador e Colômbia em um ataque do Exército colombiano.

Segundo El País, as Farc são o eixo central da Coordenadoria Continental Bolivariana (CCB), movimento da esquerda radical representado em 17 países, entre eles Alemanha e Suíça.

A guerrilha colombiana aproveitaria assim os encontros e fóruns do movimento para criar grupos de apoio e células clandestinas.

Em uma mensagem de correio eletrônico com data de 7 de fevereiro de 2007, um dos líderes das Farc, Iván Márquez, estabeleceu o local e o programa do segundo congresso da CCB, realizado no dia 24 de fevereiro em Quito, acrescentou El País.

Na sexta-feira, o jornal norte-americano Wall Street Journal ressaltou que os serviços secretos dos Estados Unidos contam com dados confiscados que revelam a autenticidade dos laços entre Chávez e as Farc.

"É uma mentira", se defendeu Chávez, que negou também uma afirmação do presidente norte-americano, George W. Bush, acusando Caracas de ter colaborado com a guerrilha marxista colombiana.

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