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Farc confirmam morte de Tirofijo e anunciam Alfonso Calo como sucessor

Caracas, 25 mai (EFE).- A morte há dois meses do líder histórico e fundador das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o lendário Tirofijo, foi confirmada hoje pela guerrilha através de um vídeo entregue à emissora Telesur, com sede em Caracas, no qual anunciou que Alfonso Calo será seu substituto.

EFE |

"Com imenso pesar informamos que nosso comandante-chefe, 'Manuel Marulanda Vélez', morreu em 26 de março, em conseqüência de um infarto cardíaco, nos braços de suas companheiras e rodeado por sua guarda pessoal (...), depois de uma breve enfermidade", disse "Timochenko", um dos membros do Secretariado das Farc.

Em uma gravação onde não aparece nenhum outro guerrilheiro, Rodrigo Londoño Echeverri, "Timochenko" ou "Timoleón Jiménez", confirmou a morte de "Tirofijo" ou "Manuel Marulanda Vélez", nomes de combate de Pedro Antonio Marín, a quem definiu como "um dos mais destacados dirigentes revolucionários de todos os tempos".

"A humanidade não tem antecedentes de um líder, com as condições de 'Marulanda', que tenha lutado ininterruptamente durante 60 anos", afirmou.

Com uma bandeira da Colômbia com dois fuzis cruzados de fundo, "Timochenko" também revelou que, de forma unânime, as Farc decidiram que "no comando do Secretariado e como novo comandante do Estado-Maior Central assumiria o camarada 'Alfonso Calo'", cujo verdadeiro nome é Guillermo León Sáenz, um antropólogo colombiano quase sexagenário.

A gravação foi entregue à emissora internacional "Telesur", uma das iniciativas de integração regional do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que não quis comentar a morte no sábado, logo após as autoridades da Colômbia a anunciarem.

Chávez optou por revelar que, na reunião a portas fechadas da sexta-feira, na cúpula do Brasil da União de Nações Sul-americanas (Unasul), disse a seus colegas que não apóia guerrilheiros e que se alegrou por ter falado com seu colega colombiano, Álvaro Uribe.

"Querem me acusar de apoiar guerrilhas, movimentos armados ou terrorismo. Mentira!", disse o chefe de Estado venezuelano. E acrescentou - em alusão a alguns computadores encontrados num acampamento rebelde no último dia 1º de março - que as pessoas são livres para especular o que quiserem, além de ser possível transformar fatos inverídicos em aparentemente verdadeiros.

Desmentiu assim, mais uma vez, haver entregue armas e dinheiro às Farc, a cujo líder falecido estimulou pública e insistentemente nas últimas semanas a libertar seus seqüestrados e prisioneiros.

Já o governo de Uribe diz ter obtido - em computadores que foram encontrados pelo governo colombiano em solo equatoriano, no dia 1º de março, no acampamento das Farc - provas do apoio de Chávez à guerrilha.

"Continuaremos encorajando a luta popular, a conformação do movimento bolivariano pela nova Colômbia e o Partido Comunista clandestino, assim como a convergência com todos aqueles que lutam pela justiça social, a soberania nacional e a democracia verdadeira", acrescentou no vídeo o chefe guerrilheiro "Timochenko".

Além disso, destacou que todas as "propostas" das Farc "ao redor dos acordos humanitários e a saídas políticas continuam vigentes".

O grupo completou 44 anos de existência e seus integrantes permanecem "unidos" e "sem pedir nada em troca, e tem como único compromisso revolucionário a tentativa de alcançar o bem comum", afirmou.

Após ressaltar que "morrer pelo povo é viver para sempre", "Timochenko" revelou que "Marulanda" recebeu homenagens à sua altura e que foi brindado com uma "honrosa sepultura".

"Despedimo-nos dele fisicamente em nome dos vários milhares de guerrilheiros e milicianos bolivarianos, e também em nome dos milhões de colombianos e cidadãos do mundo todo que o admiram e o amam apesar da asquerosa campanha midiática contra as Farc", apontou.

Tanto no terreno militar quanto no político - no qual se quis a "submissão da vontade política e da luta das Farc sem nenhuma mudança na estrutura da sociedade nem nas correlações do poder político", Marulanda "sempre saiu imune e fortalecido", garantiu "Timochenko".

"Comandante Manuel Marulanda Vélez, juramos vencer!", declarou, completando que, mesmo durante a maior ofensiva reacionária contra uma organização revolucionária na história da América Latina, as Farc continuarão unidas e otimistas com suas tarefas e seus planos.

EFE ar/fh/fb

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