A guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) confirmou neste domingo a morte de seu líder histórico, Manuel Marulanda, em um dos piores reveses para o grupo rebelde desde sua criação, há quase 44 anos.

"O grande líder se foi", informaram as Farc em comunicado, destacando que Alfonso Cano, considerado o atual dirigente ideológico da guerrilha, vai assumir o comando no lugar de Marulanda, também conhecido como "Tirofijo".

A notícia se soma à morte do número dois das Farc, Raúl Reyes, no dia 1º de março no Equador, e à de Ivan Rios, membro da cúpula de sete membros da guerrilha, além da deserção de vários rebeldes nos últimos meses.

No sábado, o ministério colombiano da Defesa anunciou, citando os serviços de inteligência, que Manuel Marulanda, 80 anos, havia falecido no dia 26 de março passado em conseqüência de um ataque cardíaco.

O anúncio das Farc foi lido por Timoleón Jiménez ("Timochenko"), um dos sete membros do 'secretariado' da guerrilha, e exibido pelo canal de televisão venezuelano Telesur.

Jiménez fez uma emocionada evocação do líder rebelde, afirmando que ele já foi sepultado e recebeu a homenagem "dos milhões de colombianos e cidadãos do mundo que o valorizam e admiram apesar da asquerosa campanha midiática contra as Farc".

Marulanda morreu "em conseqüência de uma parada cardíaca nos braços de sua companheira", e foi enterrado em uma "honrosa sepultura".

O ministro do Interior e da Justiça, Carlos Holguin, afirmou que com a morte de Marulanda "desaparece um homem que causou muitos prejuízos ao país".

"A guerrilha deve refletir e saber que sua luta é inútil", continuou Holguin, reiterando seu convite a membros das Farc para que se desmobilizem.

No sábado, após o anúncio da morte, o presidente colombiano Alvaro Uribe afirmou em um ato público em Bogotá que seu governo havia recebido "chamadas" de alguns líderes das Farc que dizem estar dispostos a se entregar e a libertar os reféns, inclusive a política franco-colombiana Ingrid Betancourt.

No dia 1º de abril, um dos comandantes das Farc, Ivan Marquez, citou em Anncol que Marulanda havia reagido à morte de Reyes dizendo que a perda representava um duro golpe para as negociações sobre os reféns.

As Farc ainda mantêm em seu poder 39 reféns, entre eles a ex-candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt e três americanos.

O chanceler francês Bernard Kouchner considerou em Beirute que as declarações do presidente colombiano sobre a liberação dos reféns pela guerrilha eram uma "notícia muito boa".

Pedro Antonio Marin - o verdadeiro nome de Marulanda - nasceu, segundo seu pai, no dia 12 de maio de 1928, embora já tenha dito em entrevistas que foi em 1930, na aldeia de Génova, no centro-oeste da Colômbia, em uma família de pequenos agricultores, sendo o mais velho de cinco irmãos.

Sob a direção de "Tirofijo", o grupo chegou a atuar por quase todo o sul e leste da Colômbia durante mais de 40 anos de luta guerrilheira. Na última década, iniciou uma campanha para seqüestrar políticos e militares e forçar o governo a negociar uma troca de reféns por rebeldes presos.

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