Farc comemoram com violência aniversário de morte de líder rebelde

Bogotá, 26 mar (EFE).- O primeiro aniversário da morte do líder máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Manuel Marulanda Vélez ou Tirofijo, foi lembrado hoje pela guerrilha com ataques à população civil e sabotagens a meios de transporte no sul do país.

EFE |

As ações rebeldes deixaram pelo menos quatro feridos e três veículos incendiados, horas antes da data comemorativa da morte de Pedro Antonio Marín, o nome real do chefe insurgente.

Os ataques deixaram feridos um menor e três adultos de Ipiales, cidade da fronteira sul com o Equador na qual, na quarta-feira à noite, explodiu uma bomba atribuída pelas autoridades policiais às Farc.

O artefato tinha sido abandonado em uma lixeira pública próxima à sede da Prefeitura, que fica em Nariño, departamento na divisa com o Equador cuja capital é Pasto, onde, há poucos dias, a Polícia também desativou dois carros-bomba.

"O fato nos deixa em alerta (...) e tem graves implicações, já que é o uso do terror", criticou o secretário do Governo da região, Fabio Trujillo.

Quase simultaneamente, os rebeldes atacaram a cidade de Corinto, no departamento vizinho de Cauca, também no sudoeste do país.

Uma fonte da Polícia em Popayán, a capital regional, disse que os rebeldes cortaram o serviço de eletricidade e tentaram cercar a localidade, que, em maio de 2008, foi palco de uma ação parecida na qual morreram três civis em decorrência de ferimentos provocados por um explosivo dos guerrilheiros.

Os insurgentes também fizeram ataques na estrada que une a população de Calamar com San José del Guaviare, a capital da região de Guaviare, na qual, na segunda-feira, dois insurgentes morreram em um bombardeio militar e onde quatro soldados foram mortos em uma emboscada das Farc.

Um ônibus de serviço público de passageiros, um caminhão carregado com mantimentos e outro veículo foram incendiados no local pelos insurgentes, que, antes, obrigaram os ocupantes a deixar os automóveis, de acordo com a imprensa local.

As ações fizeram parte da pretensa comemoração rebelde da morte de Tirofijo e dos outros dois membros do comando central das Farc mortos no decorrer do mesmo mês.

Tirofijo, que tinha 78 anos, morreu em 26 de março de 2008 após uma crise cardíaca, conforme o Secretariado da guerrilha informou dois meses após o falecimento do líder.

Antes dele, o segundo no comando e porta-voz internacional do grupo, "Raúl Reyes", foi morto após um bombardeio colombiano à base das Farc nas selvas do norte equatoriano, em 1º de março de 2008.

Menos de uma semana depois, o chefe do bloco de frentes rebeldes do oeste do país, "Ivan Ríos", foi assassinado por seu chefe de segurança, que desertou do grupo.

A tripla perda fez as autoridades colombianas temerem por uma eventual comemoração violenta por parte dos rebeldes, que, segundo os altos comandantes militares e policiais, desejavam executar a ofensiva "Março negro".

O plano dos rebeldes levou as autoridades a declarar as forças de segurança em alistamento de primeiro grau para conter uma eventual investida da guerrilha.

"Estamos em alerta máximo contra o terrorismo no país", disse hoje o diretor da Polícia Nacional, o general Óscar Naranjo, após informar dos resultados de uma operação contra rebeldes que tinham elaborado um plano para assassinar o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, e sua família.

A operação se centrou em Anapoima e Girardot, cidades ao oeste de Bogotá, e em Pitalito, sudoeste.

Na ação, a Polícia deteve dez supostos membros da Coluna Móvel "Teófilo Forero", reduto de elite das Farc que devia executar o suposto atentado.

Os agentes apreenderam uma motocicleta pintada com o emblema e as cores branco e verde da Polícia, um fuzil, várias armas de fogo curtas e uniformes policiais.

"Nós entendemos, portanto, que evitamos realmente um magnicídio", afirmou Naranjo, que observou que os organismos de inteligência desarticularam 11 planos contra o titular da Defesa nos últimos 22 meses.

Em um relatório preliminar da operação entregue à imprensa na sede do Executivo, o presidente Álvaro Uribe agradeceu que, "por sorte, a Polícia Nacional deu este golpe certeiro". EFE jgh/db

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