Farc agradecem ajuda do Brasil na libertação de reféns

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) agradeceram nesta segunda-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo apoio logístico prestado na semana passada para a libertação de seis reféns que mantinham na selva colombiana. Agradecemos ao governo do Brasil, a seu presidente Lula da Silva, seu fundamental apoio logístico no desenlace feliz deste fato humanitário, afirma o comunicado assinado pelo Secretariado das Farc, entregue à senadora colombiana Piedad Córdoba, principal mediadora com a guerrilha.

BBC Brasil |

Na semana passada, três policiais, um soldado, um ex-governador e um ex-deputado foram libertados pela guerrilha depois de meses de mediação da organização Colombianos pela Paz.

O Brasil participou da operação cedendo dois helicópteros, que foram utilizados nos resgates, além de dezoito militares.

No comunicado, a guerrilha insistiu na realização de um acordo com o governo da Colômbia para a libertação de guerrilheiros presos, três deles detidos nos Estados Unidos, em troca de militares colombianos presos em combate.

Ao movimento Colombianos pela Paz, a guerrilha pede "persistir na busca coletiva de uma saída política ao acordo humanitário e ao crucial problema da guerra e da paz".

"Esperamos que este novo gesto (a libertação dos seis reféns) contribua para abrir o caminho para um acordo de troca obstruído pelo governo", diz o documento.

Com a libertação dos reféns políticos - o último foi o ex-deputado Sigifredo López, resgatado na quinta-feira -, as Farc passaram a denominar os demais detidos sob seu controle como "prisioneiros de guerra". Cerca de 22 soldados e policiais colombianos ainda estão em poder da guerrilha.

Com esse novo perfil, os reféns passam a ser protegidos pela Convenção de Genebra. A mudança também tornaria mais fácil para as Farc reivindicar um acordo de intercâmbio de prisioneiros.

"A Colômbia inteira deseja celebrar mediante acordo bilateral a libertação dos prisioneiros de guerra reclusos tanto nas prisões do regime (governo) como nas montanhas", diz o comunicado.

Mas, para que isso ocorra, a Colômbia teria de reconhecer as Farc como "força beligerante" e não como "terroristas", como são qualificadas pelo governo do presidente Álvaro Uribe.

Neste fim de semana, o assessor político do presidente, José Obdulio Gaviria, fechou o canal de diálogo ao afirmar que, nessas condições, não haverá acordo com as Farc.

"O acordo humanitário é um assunto entre Estados, entre forças beligerantes. Colômbia não tem nenhuma guerra com Estados ", afirmou Gaviria em entrevista ao jornal colombiano El País, de Cali.

Na semana passada, Uribe disse estar "pronto para um acordo" sempre e quando os guerrilheiros abandonem a luta armada e se tornem "gestores da paz".

No comunicado, a guerrilha não menciona a necessidade da desmilitarização de três municípios para a realização do intercâmbio de presos - uma das principais condições que até então rejeitadas pelo governo colombiano.

    Leia tudo sobre: farc

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG