Farc aceitam convite ao diálogo com grupos da sociedade civil

Por Luís Jaime Acosta BOGOTÁ (Reuters) - As Farc aceitaram o convite de um grupo de representantes da sociedade civil para iniciar um diálogo em busca de uma saída negociada para o conflito interno e a libertação de um grupo de reféns que a guerrilha mantém sob seu poder.

Reuters |

A iniciativa pode ser um passo para uma futura aproximação com o governo, de acordo com analistas.

"Com agrado recebemos sua missiva que convida a explorar coletivamente caminhos para a paz, distanciados do atual rumo governamental de guerra perpétua que significa persistir no impossível de uma solução militar para problemas políticos, econômicos e sociais", disseram as Farc em uma carta tornada pública na terça-feira.

Em meados de setembro, um grupo de representantes da sociedade, dentre os quais políticos, intelectuais e acadêmicos, convidou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a iniciar um diálogo com o objetivo de obter uma solução negociada para o conflito que já dura mais de 40 anos.

"Esta carta é já o começo do intercâmbio epistolar que nos propõem para discutir a saída política do conflito, as trocas humanitárias e a paz. Participaremos (...) em um diálogo com amplitude e franqueza, sem dogmatismos, sem sectarismos e sem desqualificações sobre os temas que surgirem", assegurou o grupo rebelde.

O analista político León Valencia, um dos destinatários da carta datada de 16 de outubro, qualificou a resposta como uma porta que se abre para o diálogo e destacou que ela não tem uma linguagem ofensiva nem um tom que desqualifique o governo.

"Querem abrir uma possibilidade de diálogo, se menciona um diálogo exploratório, mas a negociação tem que ser feita com o Estado", assegurou ele à Reuters, ao admitir que os representantes da sociedade estão dispostos a ter uma ponte de diálogo com o governo de Álvaro Uribe.

As Farc vêm tentando suportar uma ofensiva liderada pelo governo, que obrigou a guerrilha a refugiar-se em zonas montanhosas e selváticas remotas do país.

O grupo rebelde mantém atualmente 28 reféns, que busca trocar com o governo por milhares de guerrilheiros encarcerados. Em julho, o exército resgatou sua cativa mais ilustre, a ex-candidata à presidência Angela Betancourt.

A disposição da guerrilha ao diálogo contrasta com a informação dada por um funcionário do governo que revelou planos das Farc para cometer atentados contra Uribe, o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, e o prefeito de Bogotá, Samuel Moreno, em reposta aos recentes golpes das forças armadas.

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