FAO pede consenso mundial sobre insegurança alimentar

Belém Anca López. Madri, 26 jan (EFE).- O diretor-geral da FAO, Jaques Diouf, afirmou hoje que, apesar da queda dos preços, não chegou ao fim a crise alimentar que, segundo ele, ainda pode se agravar pelo que pediu um consenso mundial para conseguir a erradicação da fome.

EFE |

Um total de 95 países, junto a representantes de organismos internacionais e de ONGs participam hoje e amanhã, em Madri, da reunião de alto escalão da ONU sobre Segurança Alimentar para Todos, que aborda a luta contra a fome nas metas do milênio.

Convocada a pedido do presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, a conferência fará um programa para garantir o cumprimento dos compromissos adquiridos na cúpula da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) ocorrida em Roma, em junho do ano passado.

Na reunião, inaugurada pelo diretor-geral da FAO, Jaques Diouf, e pelo ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, também discursou, através de um vídeo gravado para a ocasião, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, quem ressaltou que "aliviar a fome no mundo" é uma prioridade do novo presidente, Barack Obama.

Haillary assinalou que a insegurança alimentar e os altos preços representam uma "ameaça" à prosperidade e à segurança nos países em vias de desenvolvimento, nos quais "milhões de pessoas têm o risco de voltar à pobreza, pondo em risco o alcance das metas do milênio de reduzir em 50% a pobreza e a fome até 2015".

Em seu discurso, Moratinos pediu aos países mais desenvolvidos que destinem fundos adicionais aos já comprometidos para lutar contra a fome e tornem obrigatório o objetivo de fornecer à cooperação 0,7% de suas riquezas no ano 2012.

Ele advertiu que o agravamento da crise alimentar é "uma ameaça séria para a estabilidade mundial", pelo que ressaltou a urgência de atuar de forma "responsável".

Com este fim, reiterou o compromisso do Governo de destinar 0,7% do PIB em ajuda ao desenvolvimento em 2012 e solicitou aos países ricos que também assumam este desafio como obrigatório.

O senegalês Jaques Diouf disse que o maior desafio consiste não só em assegurar uma alimentação adequada aos 963 milhões de famintos que, segundo ele, há no mundo, mas também em "conseguir alimentos em 2050 para 9 bilhões de pessoas".

Para isso, destacou, será necessário duplicar a produção alimentícia mundial com recursos financeiros indispensáveis para os investimentos na agricultura, com o objetivo de assegurar o "direito mais fundamental do ser humano: o da alimentação".

Diouf classificou de "especialmente grave" a situação de insegurança alimentar e a considerou a "crônica de uma tragédia anunciada", antes de ressaltar que a crise financeira mundial "não facilita a tarefa".

Apesar de ver "indícios encorajadores" em medidas como a ajuda de US$ 1,299 bilhões entre 2008 e 2010 da União Europeia para o desenvolvimento da agricultura em países pobres ou o aumento do crédito ao setor agrícola pelo Banco Mundial, Diouf manifestou que os meios financeiros "ainda ficam muito longe de estar à altura das necessidades".

Neste sentido, ressaltou que a queda do preço dos alimentos não deve ser interpretada como o fim da crise.

Assim, acrescentou que a redução dos preços e a incerteza econômica "poderiam desalentar os investimentos de alguns agricultores nos meios de produção".

Após afirmar que os dados mais recentes indicam que a situação atual é "mais inquietante" do que a de 1996, Diouf apontou que as medidas que, para ele, devem ser tomadas em curto, médio e longo prazos para enfrentar a crise alimentar têm duas frentes: resolver de modo imediato os problemas alimentares urgentes e promover, no longo prazo, a produção e a produtividade agrícola.

Coincidindo com este encontro, Oxfam, Via Campesina e Amigos da Terra, entre outras ONGs, concentraram-se nas portas do Palácio de Congressos de Madri para pedir que a reunião 'não se transforme em uma farsa". EFE bal/jp

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