FAO pede compromisso de líderes políticos para combater fome

Roma, 22 mai (EFE).- Os líderes políticos mundiais devem chegar a um compromisso para enfrentar o desafio da atual crise alimentícia, caso contrário a fome crescerá no planeta, advertiu hoje a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

EFE |

Um desafio de futuro e de proporções colossais, segundo os dados apresentados no relatório semestral da FAO, "Perspectivas Alimentícias", sobre a situação alimentícia mundial e divulgado a duas semanas da reunião internacional que será realizada em Roma para discutir a crise atual.

Para se ter uma idéia dessas proporções, "a produção mundial de cereais precisa aumentar em 50% até 2030 e a de carne em 85%", disse o diretor-geral adjunto do Departamento Econômico e Social da FAO, Hafez Ghanem.

Segundo ele, essas são proporções enormes, mas não impossíveis, que o mundo pode alcançar se "o investir em agricultura e aumentar a produtividade".

O investimento no setor nos países pobres foi deixado de lado na última década pelos países industrializados, já que em 1996 destinavam 10% de sua ajuda ao desenvolvimento, enquanto apenas 3% eram dirigidos ao mesmo fim em 2006.

Quanto à produtividade, ela poderia ser melhorada na África com o investimento em irrigação, já que 4% das terras cultiváveis do continente têm acesso regular à água.

Ghanem explicou que se investisse em agricultura, pode inclusive superar a crise e "transformá-la em uma oportunidade", já que "após tudo isso, os camponeses no mundo em desenvolvimento representam 75% dos pobres".

"Desejamos um compromisso dos líderes mundiais para agir e para apoiar mais a agricultura", disse Ghanem, para quem o esforço é inevitável, já que os preços dos alimentos não cairão em um futuro previsível, como mostram os dados do relatório semestral da FAO.

Apenas nos três primeiros meses deste ano, o preço dos alimentos subiu 53%, diz o documento.

Embora os preços tenham se estabilizado em abril e espera-se que a produção de cereais de arroz aumente 3,8%, a FAO prevê que os valores dos alimentos continuarão em alta.

Os analistas reconhecem a complexidade da crise que os políticos têm que enfrentar, já que ela se deve a vários fatores que interagem entre si.

"Não é um único fator", disse Ghanem, ao concordar com as críticas que responsabilizam os biocombustíveis por toda a crise.

Ele acrescentou que "só 3% das terras cultiváveis no mundo são dedicadas aos combustíveis obtidos a partir da cana-de-açúcar e de cereais".

Segundo Ali Gurkan, analista da FAO, "é impossível estabelecer cientificamente o impacto dos biocombustíveis"; apenas sabe-se que ele existe, mas não quanto.

Reflexo da complexidade do problema, Ghanem afirmou que enquanto a cana-de-açúcar não influenciou o preço da matéria-prima, cujo custo no mercado inclusive caiu, o milho teve sua parcela de crédito.

Outros fatores que têm incidência são os crescimentos da população e, portanto, da demanda mundial, o aumento do preço do petróleo, a mudança climática e a especulação nos mercados de matérias-primas.

Para complicar mais as coisas, Ghanem destacou que a agricultura deve se desenvolver, mas deve fazê-lo de maneira sustentável, sem acabar com as florestas e a biodiversidade.

Ghanem disse que os líderes mundiais deverão considerar todos esses aspectos e planejar o futuro na reunião internacional que será realizada em Roma entre 3 e 5 de junho e na qual espera-se um forte comparecimento de chefes de Estado e de Governo. EFE alg/wr/db

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