FAO lamenta não ter visto 1 centavo do prometido à fome no G8

Miguel Cabanillas. Roma, 18 fev (EFE).- A Organização das Nações Unidas para Agricultura e a Alimentação (FAO) lamentou hoje não ter visto ainda nem um centavo dos US$ 20 bilhões que os líderes mundiais prometeram para a luta contra a fome na cúpula do Grupo dos Oito (G8, os países mais ricos do mundo) em julho em LAquila, na Itália.

EFE |

O diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, fez o anúncio hoje aos Governos dos países participantes da cúpula para acelerar a luta contra a fome, um mal que destaca em seu último relatório, "O estado mundial da agricultura e a alimentação", centrando-se na criação de gado.

Nesta quinta-feira, o texto foi apresentado na sede da FAO em Roma, abordando a situação atual da pecuária no mundo e reúne as exigências "urgentes" que esta precisa, questões relacionadas com a fome e a falta da ajuda prometidas pelos líderes mundiais que Diouf referiu em três ocasiões durante a apresentação.

"Nós não vimos nem um centavo. Isto não significa que os fundos não tenham terminado em outro lado. Será preciso tempo para que este compromisso se traduza em realidade", comentou o diretor-geral da FAO.

Segundo Diouf, tempo é um bem necessário para solucionar o problema da fome no mundo, pois existem riscos de uma nova crise alimentícia como a de 2007 e 2008, e, por enquanto, já passou quase o primeiro ano desses três nos quais os participantes do G8 em L'Aquila se comprometeram a doar os US$ 20 bilhões.

"Queremos disparar um sinal de alarme sobre a situação para acelerar o processo, para que os fundos cheguem aos países e regiões necessitadas, através de vários canais", comentou o principal responsável pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação.

"Em 2007 e 2008 houve uma crise alimentícia. Desde então, ocorreram muitas coisas, sobretudo a crise econômica e alguns problemas políticos. E isto levou os líderes a esquecerem esses problemas", acrescentou.

A FAO, que em novembro realizou uma cúpula mundial que encerrou sem novos compromissos econômicos, considera "substancial" que parte desses fundos da luta contra a fome - 1 bilhão passa fome no mundo - chegue aos agricultores e criadores de gado.

"Nossos estudos para atender a demanda de uma população em crescimento indicam que será necessário aumentar a produção e isto não pode ser feito sem investimentos", apontou Diouf, quem exigiu dos Governos que atuem em breve e materializem os compromissos na luta contra a fome.

Em seu relatório anual "O estado mundial da agricultura e alimentação" de 2009, a FAO pede investimentos urgentes, esforços em pesquisa e Governos sólidos para garantir que a pecuária possa responder ao crescimento da demanda que deve superar os 9 bilhões de pessoas em 2050.

Neste sentido, Diouf pediu hoje "reformas políticas sábias" para contribuir à erradicação da fome e a pobreza através da pecuária, que representa 40% do valor da produção agrícola.

De acordo com a Fao, o aumento dos ingressos, o crescimento demográfico e a urbanização são as "forças motrizes" que estão por trás da crescente demanda de carne nos países em desenvolvimento.

Para satisfazer esse aumento na demanda, é necessário que a produção mundial passe dos 228 milhões de toneladas de carne atuais para as 463 milhões em 2050, com um aumento estimado do rebanho bovino de 1,5 bilhão para 2,6 bilhões de cabeças de gado e de 1,7 bilhão para 2,7 bilhões no número de cabras e ovelhas.

A FAO quer com seu relatório de 2009 fazer um chamado às autoridades mundiais para que ofereçam um maior apoio aos pequenos agricultores e criadores de gado.

Outro assunto abordado pela organização dirigida por Diouf no texto é a questão das doenças animais, que podem acarretar riscos econômicos e perigos à saúde do homem, o que pode agravar a situação dos mais pobres do mundo. EFE mcs/dm

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