FAO compara potencial agrícola de savana africana ao cerrado brasileiro

Um relatório da FAO, o braço da ONU para a agricultura e alimentação, afirma que uma grande área da savana africana, que se estende por 25 países, tem o potencial para transformar vários países do continente em líderes na produção de produtos agrícolas básicos. O estudo compara, de forma favorável à África, a região da savana da Guiné às regiões do noroeste da Tailândia e à região do cerrado no Brasil.

BBC Brasil |

A FAO afirma que atualmente apenas 10% da savana da Guiné é explorada. Este ecossistema ocupa uma região de 600 milhões de hectares, desde o Senegal até a África do Sul, mas tem 400 milhões de hectares que podem ser usados para agricultura.

De acordo com o estudo, assim como a região do cerrado no Brasil e o noroeste da Tailândia, a savana da Guiné apresenta dificuldades geográficas: chuvas abundantes, mas irregulares e solos de baixa qualidade.

No caso da Tailândia, outro obstáculo é a alta densidade demográfica. No caso do cerrado brasileiro, há ainda a tendência à acidez e toxicidade do solo e uma população escassa.

Nos dois países, o estudo afirma que vários governos criaram condições para o crescimento agrícola, "caracterizadas por políticas macroeconômicas, infraestrutura adequada, base sólida de capital humano, administração governamental competente e estabilidade política".

Os especialistas afirmam que a África, por sua vez, atualmente tem mais condições para um desenvolvimento rápido de sua agricultura do que o noroeste da Tailândia e o cerrado, cuja transformação agrícola se acelerou nos anos 80.

O estudo aponta uma série de razões para isso: um rápido crescimento econômico, demográfico e urbano (que oferece mercados domésticos amplos e diversos), um contexto econômico regional favorável, um clima de negócios adequado em muitos países, um aumento dos investimentos estrangeiros e domésticos em agricultura e o uso de novas tecnologias.

Impacto ambiental
O estudo da FAO e do Banco Mundial afirma que, para que o desenvolvimento na África ser igualitário e evitar conflitos sociais, a transformação agrícola deverá ser liderada pelos pequenos produtores, como ocorreu na Tailândia, ao invés do modelo seguido no Brasil, com a exploração dos recursos pelos ricos proprietários de terras.

"A agricultura comercial na África pode e deve envolver os pequenos produtores para maximizar o crescimento e ampliar seus benefícios", afirma Michael Morris, economista agrário do Banco Mundial em Madagáscar.

"A produção mecanizada em grande escala não oferece nenhuma vantagem evidente no nível dos custos, exceto em algumas condições muito específicas, e é muito mais provável que leve a conflitos sociais", acrescenta.

O estudo lembra que o uso da terra na savana da Guiné para a agricultura deverá acarretar um impacto ambiental, mas acrescenta que a agricultura também poderá levar benefícios à região.

"A comercialização da agricultura, por meio de sua intensificação, pode reduzir os danos ambientais, desacelerando a ampliação da área de cultivo para as terras mais frágeis ou de elevado valor ambiental", afirma Michael Morris.

"No entanto, a intensificação traz o risco de dano ambiental por meio da destruição de ecossistemas e do uso excessivo de fertilizantes e pesticidas", acrescenta.

"À medida que ocorre a intensificação da agricultura, os governos devem dar atenção para o controle do impacto ambiental e implementar medidas para reduzir ou evitar o dano", diz Guy Evers, chefe do serviço da África para o Centro de Investimentos da FAO.

"Por sorte, é possível contar com uma vasta experiência em outros países", acrescenta.

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