FAO alerta que continuação da alta de preços pode gerar mais fome e conflitos

Roma, 11 abr (EFE).- Os dirigentes políticos mundiais devem atuar de forma urgente para frear a alta do preço dos cereais e de outros produtos de primeira necessidade, ou então haverá mais fome e mal-estar social, advertiu nesta sexta-feira a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

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O alarme foi dado pelo diretor-geral dessa organização, o senegalês Jaques Diouf, em entrevista coletiva na qual lembrou a convocação de uma reunião internacional em junho deste ano, em Roma, para abordar o problema.

A alta dos preços de cereais, arroz e de outros alimentos de primeira necessidade requer uma "ação urgente", ressaltou Diouf, afirmando que "existe a possibilidade de que as pessoas morram de fome".

De fato, para Diouf, muitos já estão morrendo por essa razão em conflitos que vêm acontecendo em muitos países, entre os quais citou Egito, Camarões, Costa do Marfim, Senegal, Burkina Fasso, Etiópia, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Haiti.

O diretor-geral da FAO lembrou também que os Governos da Tailândia e do Haiti desdobraram o Exército para evitar ataques aos campos e estabelecimentos comerciais.

Tudo isso está ligado à inflação, segundo Diouf, que apresentou o relatório sobre as previsões de produção de cereal e arroz para este ano.

Apesar de se prever que em 2008 pode ser alcançado um recorde de produção, com 2,164 bilhões de toneladas - o que representa 2,6% mais que o ano anterior -, Diouf disse que os preços provavelmente não sofrerão queda, já que os fatores que dispararam a inflação são estruturais e não conjunturais.

A importação de cereais nos países mais pobres do mundo subirá 56% no biênio 2007-2008, segundo dados da FAO.

Essa alta está relacionada diretamente com a mudança climática, devido às inundações e secas em muitas partes do mundo.

A forte inflação se deve também à alta do preço do petróleo, que provoca o encarecimento dos adubos e do transporte dos produtos.

A dedicação de uma maior quantidade de grãos para alimento do gado e para a fabricação de biocombustíveis também provoca aumento da inflação.

Segundo Diouf, as reservas estão em sua menor quantidade nos últimos trinta anos e ultrapassam os 405 milhões de toneladas, o que favorece a especulação no mercado de matérias-primas de Chicago.

A inflação impede a alimentação dos povos das nações mais pobres e, além disso, bloqueia seu poder de ter acesso aos meios para que a situação não se torne crônica.

Diouf disse compreender os Governos que limitaram a exportação para proteger seus cidadãos e se perguntou quanto durariam se não tivessem adotado tais medidas.

Embora a situação afete mais os países menos desenvolvidos, onde entre 50% e 60% da receita se destina à alimentação, Diouf observou que também se nota inflação nos países ricos, onde essa porcentagem se situa entre 10% e 15%, e lembrou, por exemplo, a "greve do macarrão" na Itália.

Para buscar soluções a curto prazo, o diretor-geral da FAO exigiu o envio "em massa" de sementes aos agricultores dos países menos desenvolvidos para que possam começar a produzir e dar soluções a seus mercados.

No entanto, disse que a longo prazo, é necessária uma ação decidida de todos os líderes mundiais, "já que não se trata apenas de um problema econômico, mas também político e social".

Para isso, a FAO convocou uma Conferência de Alto Nível sobre a Segurança Alimentícia Mundial e os Desafios da Mudança Climática e da Bioenergia, que será realizada de 3 a 5 de junho em Roma.

Após lembrar que a FAO deu o alarme sobre este assunto em junho do ano passado, afirmando que "já se perdeu muito tempo", Diouf pediu a maior presença de líderes mundiais na reunião para poder solucionar o problema da inflação dos alimentos. EFE alg/mac/fb

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