Fantasma de pandemia da gripe suína paira sobre assembleia da OMS

A Organização Mundial da Saúde mantém o nível de alerta 5 em relação à gripe suína, anunciou nesta segunda-feira sua diretora, Margaret Chan, diante de representantes dos 193 países membros, que se reuniram em Genebra para discutir a epidemia.

AFP |

Chan, no entanto, admitiu ser impossível saber neste momento de que forma a propagação do vírus pode evoluir.

Vários países, liderados pelo Reino Unido - um dos mais afetados pela gripe - pediram à OMS que não se precipite elevando a 6 o nível de alerta (o máximo da escala).

Em resposta, a diretora da organização prometeu ser prudente, mas lançou uma advertência: "Pode ser que o vírus tenha nos dado uma trégua, mas não sabemos por quanto tempo. Ninguém sabe se na verdade não se trata da calmaria antes da tormenta".

"Temos todos os motivos para temer uma interação do novo H1N1 com outros vírus", explicou, insistindo ser possível uma combinação de genes com o vírus da gripe aviária, "que hoje está solidamente instalado nas aves de granja em vários países".

Cabe a Chan decidir lançar o alerta máximo de pandemia para o A H1N1, após se consultar com um comitê de especialistas. "Estamos todos sob pressão para tomar medidas urgentes, num contexto de forte incerteza científica", admitiu.

A doença contaminou oficialmente 8.829 pessoas em 40 países do planeta, anunciou nesta segunda-feira o número dois da OMS, Keiji Fukuda.

O surgimento de um novo foco autônomo registrado pelas autoridades japonesas fez subir a tensão no fim de semana passado.

De fato, desde que o nível de alerta 5, de pandemia "iminente", foi declarado no dia 29 de abril, a OMS diz esperar provas da existência de um foco de transmissão autônomo, não ligado a viagens, em uma região que não seja o continente americano.

Segundo os critérios da OMS, a situação no Japão poderia justificar o alerta máximo, de nível 6, anunciando a primeira grande pandemia de gripe do século XXI.

O nível 6 não se refere à gravidade da doença, mas mede a propagação do vírus na superfície do planeta. Ainda pouco virulento, o A (H1N1) pode se transformar em uma cepa "muito mais perigosa", advertiram os especialistas da OMS.

O ministro mexicano da Saúde, José Angel Cordova, entregou simbolicamente nesta segunda-feira à diretora-geral da OMS a informação científica sobre o vírus, para contribuir no desenvolvimento de uma vacina.

Por hora, a produção de vacinas contra a gripe comum "deve continuar", indicou Chan.

"Lutamos em duas frentes. Quero ter certeza de que os países têm reservas suficientes de vacinas contra a gripe sazonal", declarou, alertando para a possibilidade de que a gripe comum seja ainda mais mortífera do que o vírus A H1N1.

Em alerta há quase um mês, a OMS decidiu encerrar a assembleia na sexta-feira, cinco dias antes do previsto, para que os participantes possam se dedicar à preparação de uma contra-ofensiva frente à pandemia.

O governo japonês anunciou nesta segunda-feira 135 casos confirmados de gripe suína em todo o país, e as autoridades das áreas atingidas pelo vírus, no oeste, pediram a mais de 2.000 escolas que permanecessem com as portas fechadas.

O número de pessoas infectadas pelo A (H1N1) aumentou rapidamente desde sábado nos distritos vizinhos de Osaka e Hyogo (oeste), desde o anúncio da contaminação de um jovem de 17 anos da cidade de Kobe, em Hyogo, no primeiro caso de infecção local por gripe suína.

As autoridades avisaram que várias centenas de pessoas podem ter contraído o vírus, com a epidemia se propagando com rapidez nesta área densamente povoada.

dro/ap

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