Famílias ricas deixam capital do Egito

Apesar do toque de recolher, manifestações entram no sexto dia e se multiplicam pelo mundo

iG São Paulo |

Dezenove jatinhos com famílias de ricos empresários egípcios e árabes deixaram o Cairo, capital do Egito na noite de sábado. As aeronaves partiram com dezenas de pessoas que, segundo a agência de notícias Associated Press representam a elite econômica do país.

A informação foi passada por um funcionário do aeroporto. Segundo ele, a maior parte dos voos tinha como destino Dubai. Os passageiros incluíam famílias do magnata das telecomunicações Naguib Sawiris, o presidente executivo da Orascom Telecom e Hussein Salem, um dos principais empresários do ramo de hotelaria e amigo confidente do presidente Hosni Mubarak.

A notícia do êxodo das famílias abastadas marca a madrugada do sexto dia de protestos no Egito – o país está quatro horas a frente de Brasília, já no domingo. Desde o dia 25, já morreram pelo menos 80 pessoas em conflitos em 11 cidades.

O governo ampliou o toque de recolher, mas as manifestações continuaram durante a noite e há denúncias de que os saques se multiplicaram em meio ao caos.

Protestos pelo mundo
As manifestações pela troca do presidente Hosni Mubarak, há 30 anos no poder se espalharam pelo mundo. Países árabes se uniram ao protesto desde sexta e no sábado centenas de pessoas se reuniram em Nova York, na frente da sede da Organização das Nações Unidas (ONU).

Os manifestantes, em sua maioria egípcios e descendentes, levaram bandeiras do Egito e cartazes escritos em árabe e em inglês pedindo a saída de Mubarak. “Egito livre já” e “Não à ditadura” eram alguns dos pedidos. Muitos pediam que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, corte a assistência econômica ao Egito e outros reivindicaram a atenção da comunidade internacional.

Alguns deles pediam a chegada de uma verdadeira democracia no Egito, governado há 30 anos com mão de ferro de Mubarak, que neste sábado anunciou uma mudança de Governo e designou dois generais para ocupar postos importantes no Estado. Apesar da medida, o país segue imerso no caos entre os protestos políticos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu esta semana ao Governo egípcio que ouvisse as preocupações “legítimas” de seu povo, e na sexta-feira, após o corte do acesso à internet, insistiu que as autoridades desse país respeitem a liberdade de expressão e de associação dos egípcios. "Os líderes dos países têm muitas responsabilidades e o mandato deve prestar atenção aos desejos de seu povo. Acho que uma das bases da democracia é a proteção e a garantia da liberdade de expressão do povo", disse Ban.

*com informações da AP, EFE e AFP

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