Famílias ignoram riscos e voltam para casa em áreas alagadas no Maranhão

MARANHÃO - Depois de 29 dias sem poder entrar em sua casa, inundada pelas enchentes que deixaram submersa boa parte do município de Bacabal, no Maranhão, Leonor Amorim Serra, de 69 anos, voltou à sua residência no último fim de semana. Na rua em que a dona de casa mora, próxima ao rio Mearim, que corta a cidade, o nível das águas começa a baixar, atraindo de volta muitos moradores que haviam fugido das cheias.

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Segundo a Defesa Civil, porém, a decisão de voltar para as casas atingidas é arriscada, já que a chuva continua a castigar a cidade e ainda é cedo para descartar novas enchentes.

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As chuvas prejudicam moradores no nordeste do País

O rio Mearim chegou a subir mais de 5,5 m acima de seu nível normal e, de acordo com as medições feitas pela Defesa Civil, baixou menos de 50 cm até agora.

"Nós não recomendamos que as pessoas voltem para suas casas", diz o tenente Fernando Carvalho Ricardo, responsável pelas ações de apoio que a Defesa Civil de São Paulo está prestando em Bacabal. "Essas pessoas estão retornando sem o nosso aval."

De acordo com a Defesa Civil, é necessário avaliar as condições sanitárias e também a estrutura dos imóveis antes que os moradores possam voltar com segurança.

"Todos os imóveis terão de ser vistoriados", afirma a coordenadora da Defesa Civil de Bacabal, Roseane Maria do Nascimento Silva.

Essas vistorias só poderão ser feitas quando o nível das águas estiver mais baixo, ainda sem um prazo definido, já que muitas partes de Bacabal permanecem inundadas, nas quais se avista somente os telhados das casas.

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Moradores enfrentam risco de inundação no Maranhão

Retorno
Muitos daqueles que tiveram de abandonar suas residências às pressas, no entanto, estão ignorando os riscos e tentando ver o que restou de seus imóveis.

"Tinha que vir. Fiquei com medo que roubassem alguma coisa. Graças a Deus não mexeram em nada", dizia a dona de casa Leonor Serra na terça-feira, enquanto dava os retoques finais na faxina de três dias para tentar colocar um pouco de ordem no caos provocado pela água.Quando a água começou a subir, há quase um mês, ela deixou a casa com o marido e uma filha adotiva. Conseguiu salvar a maioria dos móveis e foi se hospedar na casa de outra filha.

Nem todos tiveram a mesma sorte. O vigia desempregado Manoel Barros, de 57 anos, teve a porta de casa furtada. "Era novinha", diz ele, que ainda não pôde voltar para sua residência, localizada em um trecho da rua que permanece bastante submerso.

"Enfrentando a água"
Outros moradores resolveram garantir a segurança permanecendo em casa, mesmo com o risco de inundação.

"Ficamos aqui, enfrentado a água. Se saíssemos, carregavam com tudo", diz a dona de casa Dolores Matos de Almeida, 54 anos, que continuou na casa ao lado do marido e de um filho.

A água chegou à porta de sua residência e alagou o pátio, mas não entrou no imóvel.

"Não dormíamos à noite, com medo de que a água subisse", diz Dolores.

Além da angústia, a família teve de enfrentar também um mês sem energia elétrica, cortada nas áreas alagadas para evitar riscos de acidentes.

"Ficamos à base de velas. Só podíamos cozinhar o suficiente para o mesmo dia, tudo estragava", diz.

A luz só voltou à região na última sexta-feira, segundo os moradores.

A dona de casa Maria José da Conceição Pereira, 42 anos, também conseguiu preservar seus bens.Seu filho Romerildo, porém, morador da casa em frente, permanece em um abrigo na cidade. Sua casa não está mais totalmente alagada, mas buracos no chão e estragos nas paredes impedem que ele e a família voltem ao local.

Muitas casas em Bacabal são construídas com barro e foram quase que totalmente destruídas pelas enchentes.

Segundo a Defesa Civil, dos 97,8 mil habitantes do município, 5,6 mil estão desalojados, hospedados em casas de parentes ou amigos, e outros 4,7 mil tiveram de recorrer a um dos 54 abrigos montados na cidade.

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