Representantes dos familiares dos desaparecidos ítalo-uruguaios protestaram nesta terça-feira em Roma contra a libertação do ex-militar uruguaio Jorge Tróccoli, detido na Itália desde dezembro de 2007 por violação de direitos humanos durante a ditadura em seu país.

"Pedi ajuda de advogados especializados para que considerem a apresentação em Roma de uma denúncia penal para que sejam investigadas as responsabilidades específicas" da libertação de Tróccoli, anunciou Cristina Mihura, representante dos familiares dos 25 cidadãos italianos desaparecidos como parte da Operação Condor, que coordenou a repressão das ditaduras do Cone Sul na década de 70.

Tróccoli, de 60 anos, com passaporte italiano, detido em Salerno, no sul da Itália, em 24 de dezembro de 2007, foi libertado no último dia 23 de abril pela justiça italiana após o vencimento do prazo para mantê-lo sob detenção, indicaram fontes da imprensa local.

"Alguém, no Uruguai ou na Itália, por negligência grave ou intencionalmente, pediu que Tróccoli fosse entregue à justiça uruguaia", declarou Mihura.

"Espero que a identidade deste ou destes cúmplices de Tróccoli não seja encoberta por mais de 30 anos como acontece com os crimes de desaparecimento de militantes pelos quais é acusado", afirmou.

O capitão de reserva da marinha, ex-membro dos serviços de inteligência da Armada (Fusna), acusado na Itália de homicídio voluntário e seqüestro, figura na lista de militares sul-americanos acusados do desaparecimento e morte de aproximadamente 25 italianos.

O processo contra os militares sul-americanos foi aberto em 1998 na Itália, onde podem ser julgados à revelia.

Tróccoli, detido em uma prisão romana de Regina Coeli, aguardava ser extraditado ao Uruguai, mas foi libertado por ordem da Corte de Apelações de Salerno, responsável por examinar o pedido da extradição.

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