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Famílias de desaparecidos da ditadura acusam Governo de querer calar bocas

Rio de Janeiro, 15 jul (EFE).- Familiares dos desaparecidos durante a ditadura militar acusaram hoje o Governo de querer calar bocas com indenizações e exigiram novamente a abertura dos arquivos militares em busca da justiça e da verdade.

EFE |

As declarações foram feitas hoje pela professora universitária Victória Grabois, filha, irmã e esposa de desaparecidos durante a ditadura, em uma entrevista coletiva no Rio de Janeiro.

Victória criticou também as operações que o Ministério da Defesa realizará no mês que vem para buscar os corpos dos militantes da Guerrilha do Araguaia, desaparecidos entre 1972 e 1974.

A professora, cujos familiares fizeram parte do grupo guerrilheiro, considera que se trata de "uma operação de guerra", já que será liderada pelo Exército, e afirmou que é "uma afronta à população local" e põe em risco a descoberta de restos e provas.

Além disso, para Victória, esta operação é uma reação explicada pelo fato de que o Governo "estremeceu" ao saber que a Corte Interamericana de Direitos Humanos tinha aceitado a queixa apresentada por grupos humanitários para analisar o caso da Guerrilha do Araguaia.

Segundo ela, a sessão para julgar os fatos na Corte deve ter início no primeiro semestre do ano que vem.

A presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, Cecília Coimbra, também se mostrou contrária ao processo iniciado pelo Governo para dividir indenizações econômicas entre os familiares dos desaparecidos, por considerar que isto significa "o fim do processo".

Para a ativista, as indenizações são um direito, embora, segundo uma resolução das Nações Unidas citada em seu discurso, o conceito de reparação "consista em dizer o que aconteceu, como ocorreu e quem foram os responsáveis".

"E após isso, é preciso reparar com dinheiro, mas isso é só o final do processo", explicou Cecília.

As duas mulheres denunciaram a falta de vontade política do Governo para abrir os arquivos militares da época que, segundo elas, poderiam apresentar provas claras sobre o ocorrido durante os anos da ditadura. EFE edv/pd

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