Famílias acusam Londres de ocultar informação sobre atentado de Omagh

Dublin, 16 set (EFE).- As vítimas do atentado de Omagh, realizado em 1998 na Irlanda do Norte, levarão o Governo britânico à Justiça caso não desclassifique imediatamente documentos secretos que supostamente poderiam ter ajudado a prender os autores do massacre, anunciou hoje um porta-voz das famílias dos mortos.

EFE |

Dez anos após o massacre ninguém foi condenado, mas um programa investigativo da "BBC" revelou nesta segunda que os serviços secretos britânicos chegaram a gravar conversas telefônicas entre os terroristas que seguiam para Omagh no dia da explosão.

A "BBC" afirma que os serviços de inteligência não passaram estas informações para as autoridades responsáveis pela investigação, que, segundo os Executivos britânico e irlandês, foi realizada conjuntamente pelas forças de segurança da Irlanda e da Irlanda do Norte.

Michael Gallagher, cujo filho Aidan, de 21 anos, morreu no atentado, afirmou hoje que as famílias consideram a possibilidade de acusar o Governo de Londres de "obstruir o curso da Justiça".

"Achamos que os serviços secretos, a Polícia e aqueles que trabalham do lado da lei e da ordem têm responsabilidades e devem responder por elas. Até fazerem isto existe a duvida de que temos serviços secretos que estão fora do controle e à margem da lei", declarou Gallagher.

Gallagher, que se declarou comovido com as revelações da "BBC", afirmou que as famílias tentarão discutir o assunto com a Polícia norte-irlandesa e os Governos de Irlanda e Espanha.

Vinte e nove pessoas morreram na ação terrorista perpetrada pelo IRA Autêntico, uma dissidência do Exército Republicano Irlandês (IRA) oposta ao processo de paz na Irlanda do Norte.

"Achamos que um crime foi cometido e achamos que o curso da Justiça foi obstruído. A ocultação de informação é um crime muito sério", frisou Gallagher, que lembrou que as famílias pediram insistentemente a Londres e a Dublin o início de uma nova investigação pública, independente e além da fronteira sobre o massacre.

O único acusado pelo atentado, Sean Hoey, foi declarado inocente em dezembro de 2007 das 56 acusações que pesavam contra ele, pois, segundo o juiz, o caso apresentado pela Promotoria estava repleto de graves irregularidades, entre elas "enganos deliberados e premeditados" pelas duas testemunhas das forças de segurança.

A decisão obrigou as famílias a apresentarem um multimilionário processo contra cinco pessoas supostamente envolvidas no atentado: Seamus Daly, Liam Campbell, Michael McKevitt, Seamus McKenna e Colm Murphy.

Apesar de os suspeitos não poderem ser condenados por assassinato, pois o processo é de caráter civil, as famílias buscam um ressarcimento moral com a indenização de 20 milhões de euros que exigem por perdas e danos, quase o mesmo valor gasto pela Polícia norte-irlandesa em suas investigações sobre o atentado. EFE ja/wr/fal

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