Familiares de reféns na Colômbia temem resgate militar

Por Nelson Bocanegra BOGOTÁ, Colômbia (Reuters) - Apesar do recente sucesso do resgate de 15 reféns tirados pelo Exército colombiano das mãos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), familiares daqueles que continuam sequestrados disseram na segunda-feira preferir um acordo humanitário a uma operação militar capaz de colocar a vida deles em perigo.

Reuters |

A maior preocupação dos parentes das 25 pessoas que continuam sob o poder da guerrilha por motivos políticos é a atitude a ser tomada pelas Farc depois do cinematográfico resgate de Ingrid Betancourt, três norte-americanos e 11 policiais e militares, sem que um único tiro fosse disparado.

Até agora, as Farc não se manifestaram a respeito da operação, o mais recente golpe desferido contra o grupo em meio a uma grande ofensiva lançada pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe, com vistas a derrotá-las militarmente.

Um dos temores é de que as Farc adotem medidas de represália contra os reféns que seguem sob seu poder devido à ação do Exército, que infiltrou agentes no meio do grupo e enganou-o.

'Eu acredito que isso põe em perigo as mesmas pessoas, as que ainda são reféns, porque se houvesse apenas o grupo dos 15 (resgatados), tudo bem. Mas temos de pensar que ainda há 25 pessoas que clamam por liberdade', disse à Reuters Gustavo Moncayo, pai do suboficial do Exército Pablo Moncayo, sequestrado em dezembro de 1997.

Em 2007, Moncayo realizou uma caminhada de mais de 800 quilômetros, do sudoeste do país até Bogotá, a fim de pedir pela liberdade de seu filho. Depois andou até a Venezuela, onde solicitou a ajuda do presidente venezuelano, Hugo Chávez, para garantir a soltura de Pablo.

Pablo Moncayo é considerado o refém 'político' mais antigo hoje sob o poder das Farc.

Ana Elvia Castro, mãe do soldado William Domínguez, sequestrado em janeiro de 2007 no Departamento de Caquetá, tampouco mudou de opinião.

'Mesmo depois desse resgate militar, continuo acreditando que não deve haver outros resgates, que se deve fazer um acordo humanitário porque isso é um risco que correm muitos dos nossos filhos', afirmou enquanto esperava sua vez de enviar uma mensagem a seu primogênito por meio de uma rádio, no domingo de madrugada.

Antes do resgate, as Farc -- fundadas na década de 1960 -- buscavam trocar com o governo 40 reféns por cerca de 500 rebeldes presos, mas a postura inflexível adotada por ambos os lados impediu a realização de negociações para colocar fim ao drama dos sequestrados.

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