Familiares de Jean Charles protestam em inquérito

Os familiares de Jean Charles de Menezes protestaram nesta quinta-feira no inquérito que investiga a morte do eletricista brasileiro. O inquérito que investiga o assassinato do brasileiro pela polícia de Londres em julho de 2005 está na fase final.

BBC Brasil |

Nesta quinta-feira, o legista Michael Wright, que preside o inquérito, pediu que os jurados se reúnam para chegar a um veredicto sobre o caso. O veredicto deve ser anunciado nos próximos dias.

Poucos minutos antes do pedido de Wright, os primos de Jean Charles - Patrícia da Silva, Erionaldo da Silva, Alessandro Pereira e Vivian Figueiredo - que assistiam ao inquérito das tribunas, levantaram-se e desabotoaram seus casacos, revelando camisetas com os dizeres "Unlawful killing verdict" ("Veredicto de homicídio injustificável") e "Your legal right to decide" ("Seu direito legal de decidir").

Eles passaram em frente aos 11 jurados e deixaram a sala onde está sendo realizado o inquérito.

Durante as palavras finais de Wright, a equipe de advogados que representa a família Menezes, que é liderada por Michael Mansfield, também havia deixado o inquérito.

Duas opções
Nesta semana, o legista que preside o inquérito havia dito que o júri não poderá considerar o veredicto de "homicídio injustificável" ("unlawful killing"). Segundo Wright, não há provas suficientes apontando que qualquer um dos envolvidos tenha matado Jean Charles de forma ilegal e pediu que os jurados "deixem qualquer emoção de lado" na decisão.

Com isso, os 11 jurados teriam duas opções: que houve "lawful killing" (ou seja, que a morte ocorreu como decorrência de ações que não feriram a lei; morte não-criminosa) ou optar ainda por um "open verdict" (veredicto inconcluso).

Este é o quinto inquérito sobre a morte de Jean Charles realizado na Grã-Bretanha.

O júri, composto por 11 pessoas, ouviu o depoimento de cem testemunhas desde que o inquérito começou, em setembro, em Londres.

O brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto pela polícia de Londres em uma estação de metrô da capital britânica, ao ser confundido com um suspeito de tentativas de atentado ocorridas no dia anterior.

Em julgamentos anteriores, a polícia recebeu uma multa de 175 mil libras, mas nenhum envolvido foi considerado culpado.

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