Família é processada pela Disney por violar direitos autorais

Clermont (Flórida), 15 jul (EFE) - Uma família hispana da Flórida (Estados Unidos) foi acusada em um tribunal federal de violação de direitos autorais pelo gigante do entretenimento Walt Disney World. David Chaveco, de 31 anos, e Marisol Pérez de Chaveco, de 31, proprietários da Kool Klown Party People Inc., que faz jogos infláveis, organiza aniversário com cabras-cegas, palhaços e caras pintadas, compraram fantasias semelhantes aos personagens da Disney Bisonho e Tigrão para alugá-las.

EFE |

A Disney alega que a aquisição e exibição, por fotografias, das fantasias que simulam seus personagens viola as leis de direito de autor e propicia uma concorrência desleal em violação à Lei Lanham, ambos códigos federais, além de causar confusão, já que se poderia pensar que a companhia patrocina os eventos da Kool Klown.

"Ao comprar estas fantasias, que se vêem por todas as partes na internet, não sabíamos que estávamos violando nenhuma lei", afirmou à Agência Efe Marisol Pérez Chaveco, que lamenta não ter podido custear a ajuda legal quando começou o negócio, que teria economizado toda esta "dor de cabeça".

Se tivesse tido orientação legal "que nos ajudasse a conhecer o que se pode ou não fazer, e que certamente nos teria aconselhado sobre a aquisição dessas fantasias, nunca as teríamos comprado", sustentou.

Pérez, que alega que as fantasias não são mais que "um burro cor violeta e um tigre laranja, que em nada se parecem com os personagens", disse que cumpriu todas as exigências da Disney para evitar o processo.

"Tiramos os anúncios de nosso site, fechamos nossa conta no My Space, tiramos os anúncios no Craig List, e demos toda a informação que tínhamos, mas Disney não cumpriu sua parte de não continuar com o processo", disse Pérez com preocupação.

Isso porque a ação milionária também exige que sejam pagos os custos dos advogados da empresa.

"Nem sequer temos dinheiro para nos defender e buscar nosso próprio advogado, e como vamos pagar pelos custos de seus advogados?", questionou a cubana, mãe de duas crianças, de três e um ano.

"Somos uma família que vive muito simplesmente, já que meu marido não tem um trabalho que deixe dinheiro", destacou.

"O negócio é algo que faço em minha casa, a meio período, já que me dedico a cuidar dos meus filhos, um que é autista e outra que recebe tratamento para fala, e aos quais nunca pudemos levar aos parques da Disney porque não podemos pagar os preços das entradas", acrescentou.

Além de devolver as fantasias à empresa peruana à qual essas foram compradas por cerca de US$ 500 através do eBay, o casal acrescentou no site que nenhum costume utilizado pela Kool Klown tem relação com a Disney ou outra empresa de personagens, pensando que a explicação esclareceria a situação.

No entanto, documentos da Corte indicam que o esclarecimento foi considerado pela Disney um "ato de má-fé" e demanda que a Kool Klown entregue, "para destruí-los", as fantasias e provas de transações relacionadas com o aluguel dos mesmos em suas festas.

"Cumprimos todas as exigências, mas não podemos devolver as fantasias, porque não os temos", afirmou Pérez, que afirmou que o litígio criou má reputação, ao ponto que se viram obrigados a fechar o negócio e cancelar os sonhos de ter uma pequena empresa de diversão infantil, inspirada nas crianças.

"Se tivesse tido ajuda legal e conhecimento das leis, teria nos tirado muitas dores de cabeça, nem teríamos que nos ver como agora, afogados economicamente, com um processo milionário e sem poder pagar um advogado que nos represente. Tomara que algum advogado queira tomar nosso caso pró-bônus", ressaltou. EFE wt/db

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