Família democrata consagra Barack Obama

A Convenção Democrata que acontece em Denver (Colorado, oeste) se encerrará, nesta quinta-feira, em clima apoteótico e com a sensação de dever cumprido: uma família inteiramente reunida em torno de Barack Obama, um candidato como a América jamais viu.

AFP |

Obama, que pode vir a ser o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, aceitará, oficialmente, a indicação de sua candidatura durante um evento para mais de 75.000 pessoas, cujos ingressos já estão esgotados.

O candidato democrata deverá falar somente por volta das 20h (23h de Brasília), mas filas de espera já se formavam na frente do estádio Invesco Field desde as 9h (12h de Brasília).

Será preciso remontar a 1960 para encontrar um candidato que tenha se dirigido à nação americana de um estádio, e não de um palácio: John Kennedy, ao qual Barack Obama é, freqüentemente, comparado, em razão de seu carisma e de sua vontade de mudança que ele espera incorporar.

Na primeira página de hoje, "The New York Post" publicou a foto da cena montada para a ocasião, com as colunas dóricas que lembram um templo grego no melhor estilo hollywoodiano. "O (de Obama) meu Deus", intitulou o jornal, de forma irônica, acrescentando que "os democratas erguem um templo para Obama".

Hoje, Obama também prestará uma homenagem a uma das personalidades mais citadas em seus comícios - praticamente em quase todos - e sem a qual nada disso teria sido possível para a comunidade negra dos EUA: o pastor Martin Luther King, cuja família estará presente nas tribunas do estádio.

Nesta quinta, completa-se o 45º aniversário do célebre discurso desse Prêmio Nobel da Paz: "I have a dream" ("eu tenho um sonho").

Segundo o principal estrategista de Obama, David Axelrod, o discurso do candidato será inspirado nos de Kennedy, em 1960, Ronald Reagan, em 1980, e Bill Clinton, em 1992. Obama falará de modo "muito concreto", promete sua equipe.

Conseguindo manter uma serenidade a toda prova, Obama não mudou em nada sua rotina e fez, nesta quinta pela manhã, em um ginásio de Denver, uma sessão de basquete com seu guarda-costas e amigo, Reggie Love.

A lista de convidados pode intimidar até o mais experiente organizador de eventos. Dois Prêmios Nobel da Paz, Jimmy Carter e Al Gore, estarão presentes. Estrelas da música, do cinema e dos esportes já se deslocaram para lá. Além disso, o final da Convenção Democrata será transmitido por mais emissoras de TV do que os Jogos Olímpicos de Pequim.

Com a equipe democrata em posição e a do republicano John McCain prestes a fazer o mesmo - McCain deve anunciar o nome de seu vice à exaustão -, a campanha presidencial americana entra em sua fase final, com a promessa de muitas emoções e sobressaltos até 4 de novembro.

Do lado democrata, uma página da História já foi escrita, com o anúncio oficial de um candidato negro à Casa Branca. Ontem à noite, com os olhos úmidos, todos os delegados democratas pareciam se dar conta do que tinham acabado de realizar.

As 20.000 pessoas presentes no Pepsi Center, complexo esportivo onde acontece a Convenção Democrata, assistiram à mudança de uma geração para a outra, com a expectativa de novos tempos na política.

O casal Clinton, que dominava a cena democrata desde o início da década de 1990, ininterruptamente, passou o bastão para o senador de 47 anos, que tem agora a tarefa de pôr fim a oito anos de poder republicano.

O ex-presidente Bill Clinton, talvez um dos mais ferrenhos críticos de Obama durante a cansativa temporada das primárias, aderiu, de forma definitiva, à campanha daquele que carregará as esperanças do partido em novembro, estabelecendo, inclusive, semelhanças entre ambas as trajetórias.

Algumas horas antes, a senadora Hillary já havia, praticamente, entronizado Obama, ao pedir à Convenção que o declarasse candidato por aclamação.

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