A família do nigeriano acusado de tentar explodir um avião transatlântico que se aproximava do pouso nos Estados Unidos na última sexta-feira afirmou nesta segunda-feira que suas ações pareceram totalmente fora de contexto. Em um comunicado divulgado em Abuja, capital da Nigéria, eles disseram que, até recentemente, Umar Farouk Abdulmutallab, de 23 anos, nunca tinha dado a eles razão para preocupação.

Apesar disso, o pai de Abdulmutallab, um importante banqueiro nigeriano, havia alertado em novembro as autoridades de segurança e a Embaixada dos Estados Unidos na Nigéria sobre as posições do filho, após ele ter interrompido o contato com a família.

O ministro do Interior da Grã-Bretanha, Alan Johnson, confirmou à BBC nesta segunda-feira que Abdulmutallab estava numa lista de pessoas vigiadas pelo serviço de inteligência.

Isso significa que ele não poderia entrar na Grã-Bretanha, mas poderia passar pelo país em trânsito para outros lugares.

Segundo Johnson, Abdulmutallab tinha tido um pedido de visto recusado há 14 meses para estudar na Grã-Bretanha em uma escola que as autoridades britânicas consideraram como "falsa".

Abdulmutallab foi formalmente indiciado no sábado por um juiz federal em um hospital de Michigan, onde está sendo tratado por queimaduras, após ter tentado supostamente detonar explosivos dentro de um Airbus A330 da Northwest Airlines que havia saído de Amsterdã, na Holanda, e se preparava para pousar no aeroporto de Detroit, nos Estados Unidos.

A segurança foi reforçada nos aeroportos do mundo todo após o ataque.

Desaparecimento
O comunicado da família diz que ela, "assim como o resto do mundo, acordou nas primeiras horas do dia 26 de dezembro" com a notícia da suposta tentativa de Abdulmutallab de detonar um explosivo dentro do avião entre Amsterdã e Detroit.

A família diz que antes do incidente, o pai do rapaz, Alhaji Umaru Mutallab, "preocupado com seu desaparecimento e sua decisão de romper a comunicação com a família enquanto estudava no exterior", procurou agentes de segurança da Nigéria e de outros países.

"Tínhamos a esperança de que eles o encontrariam e o trariam de volta para casa", diz o comunicado. "Foi enquanto esperávamos pelo resultado de sua investigação que acordamos com as notícias chocantes daquele dia."
O comunicado disse ainda que o desaparecimento recente e a interrupção de toda a comunicação por parte do filho foi "completamente fora de contexto e um desenvolvimento muito recente".

Até então, "desde a infância, Farouk, diante do melhor dos controles familiares, nunca havia mostrado nenhuma atitude, conduta ou associação que poderia nos dar motivo de preocupação".

"Assim que as preocupações surgiram, muito recentemente, seus pais buscaram ajuda e as relataram", afirma o comunicado, que diz ainda que a família vai cooperar totalmente com qualquer investigação e agradeceu pelo fato de que "nenhuma vida foi perdida no incidente".

Iêmen
A família disse ainda à BBC que havia perdido contato com Abdulmutallab em outubro, quando ele estava vivendo no Iêmen.

Antes de embarcar no voo da Northwest no dia 24, ele havia saído do Iêmen para a Etiópia, dali para Gana e então para a Nigéria. No próprio dia 24 ele voou de Lagos, na Nigéria, para Amsterdã, onde embarcou no voo para Detroit.

O seu nome estava em uma lista de 500 mil nomes do governo dos Estados Unidos conhecida como Ambiente Datamart de Identidades Terroristas (Tide, na sigla em inglês), mas segundo as autoridades americanas não havia informações suficientes sobre suas atividades para impedi-lo de voar.

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