Família de Karadzic é impedida de visitá-lo na prisão em Belgrado

Sarajevo - O alto representante internacional para a Bósnia, Miroslav Lajcak, declarou nesta sexta que não devolverá por enquanto os documentos retirados dos parentes de Radovan Karadzic.

EFE |

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  • Por este motivo eles não poderão visitá-lo na prisão de Belgrado na qual está detido desde a última segunda-feira.

    O funcionário, um eslovaco, explicou que não poderá entregar os passaportes aos familiares de Karadzic, que vivem na Bósnia, até que seja comprovado que este ato não criará uma rede de apoio ao suposto criminoso de guerra.

    "Não vejo a razão da questão de quando os filhos de Karadzic poderão visitá-lo ser o principal assunto humanitário agora", disse Lajcak por meio de um comunicado do Escritório do Alto Representante (OHR) divulgado pela imprensa.

    Lajcak afirmou que a filha do ex-líder servo-bósnio, Sonja, e seu filho, Aleksandar, terão no futuro tempo suficiente para visitarem seu pai, "algo que não poderão fazer os filhos das vítimas do massacre em Srebrenica", do qual Karadzic é acusado.

    Sem passaporte

    Lajcak retirou em janeiro passado os passaportes da mulher de Karadzic, Ljiljana Zelen, de seu filho, de sua filha e do marido dela, Cedomir Jovicevic, por ajudarem o acusado a se esconder do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII).

    Karadzic foi detido nos arredores de Belgrado, onde vivia e trabalhava com identidade falsa, e deverá ser extraditado nos próximos dias, possivelmente na segunda ou na terça, para o TPII, em Haia, onde será processado.

    Os familiares de Karadzic pediram há vários dias para Lajcak devolver seus documentos de forma que possam visitar o preso em Belgrado, argumentando que não dispõem de meios para fazer isto quando o acusado for enviado para Haia.

    O primeiro-ministro servo-bósnio, o social-democrata Milorad Dodik, assim como o Partido Democrático Sérvio (SDS), fundado por Karadzic, também pediu a Lajcak para permitir que sua família o visite.

    O agora opositor nacionalista SDS anunciou para amanhã protestos de apoio a Karadzic em várias cidades servo-bósnias e pediu aos cidadãos que se manifestarem com calma.

    Além disso, o primeiro-ministro Milorad Dodik anunciou ajuda financeira para a família de Karadzic durante o processo no TPII.

    Ajuda financeira

    A imprensa bósnia duvida do valor das propriedades da família Karadzic e de um fundo governamental servo-bósnio destinado a ajuda financeira aos processados por crimes de guerra.

    Lembram algumas declarações de 2005 de Dodik, um ferrenho rival político de Karadzic, que o acusava de ter levado 36 milhões de marcos conversíveis (18 milhões de euros) no ano de 1997 dos cofres do Banco nacional servo-bósnio quando fugiu após ordem de busca e captura emitida contra ele.

    Apesar de Dodik ter anunciado uma investigação sobre o assunto nada foi feito até o momento.

    Além disso, a ex-presidente servo-bósnia, Biljana Plavsic, condenada por crimes de guerra pelo TPII, acusou Karadzic de desvio financeiro e irresponsabilidade.

    No jornal "Dnevni Avaz", o assistente de Lajcak, o americano Raffi Gregorian, declarou que Karadzic tem uma dívida de US$ 4 bilhões por indenizações dadas às vítimas do conflito bósnio.

    Gregorian explicou que "por isto suas propriedades móveis e imóveis são de tanto interesse para a OHR e a Eufor (missão militar européia na Bósnia)".

    "É estudada a eventual possibilidade de confiscar as propriedades para que, pelo menos em parte, possa se pagar uma compensação, mesmo que seja simbólica, às vítimas".

    Segundo Gregorian, as redes de ajuda aos acusados de crimes de guerra foragidos estão vinculadas entre elas, de forma que a família de Karadzic ainda faz parte destas atividades.

    Membros da família de Karadzic também estão em uma "lista negra" das pessoas que têm a entrada nos EUA e na União Européia (UE) proibida por participarem da rede de apoio aos acusados pelo TPII.

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