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Família de Jean Charles se diz aliviada com veredicto

A família de Jean Charles de Menezes disse estar aliviada nesta sexta-feira, depois do veredicto inconclusivo anunciado pelo júri do inquérito que apurou as circunstâncias da morte do brasileiro pela polícia britânica dentro de um vagão do metrô de Londres em julho de 2005.

BBC Brasil |


"Não era esse o veredicto que a gente tanto queria, mas com esse agora vamos analisar a situação e ver o que podemos fazer", disse Patrícia da Silva Armani, prima de Jean Charles. "Mas é um alívio, porque se tivesse dado morte legal (homicídio justificável) seria desastroso."

A família esperava que os jurados dessem o veredicto de homicídio injustificável ("unlawful killing", em inglês), mas esta hipótese foi descartada na semana passada, quando o juiz-legista que presidia o inquérito, Michael Wright, disse que o júri não poderia considerar este tipo de decisão.

Wright avaliou que não havia provas suficientes indicando que os dois policiais que deram sete tiros na cabeça do brasileiro agiram de forma ilegal.

A partir daí, restaram aos jurados duas opções para o veredicto: homicídio justificável ("lawful killing") - quando a morte ocorre como decorrência de ações que não ferem a lei; morte não-criminosa - ou veredicto inconclusivo ("open veredict").

Em uma mensagem enviada do Brasil, a mãe de Jean Charles de Menezes disse que "renasceu" ao saber da decisão do júri.

"Quando soube, na semana passada, que o veredicto de 'homicídio injustificável' não poderia ser adotado, fiquei muito triste", afirma a mensagem. "Mas agora me sinto renascida." Segundo Patrícia Armani, a mãe de Jean Charles, temia que resultado fosse "horrível".

Ações

Ainda de acordo com a prima de Jean Charles, "a luta da família vai continuar", mas os familiares ainda não decidiram se vão seguir com outros processos judiciais.

Asad Rehman, representante da campanha "Justiça Para Jean" disse que o veredicto foi o melhor que eles podiam esperar, mas acrescentou que o movimento recomendará ações imediatas.

Entre elas, a campanha pedirá que a Autoridade da Polícia Metropolitana de Londres atribua responsabilidade individual para policiais que cometerem crimes semelhantes e que a Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC) revise sua recomendação de não aplicar ações disciplinares contra policiais.

Este foi o quarto inquérito sobre a morte de Jean Charles realizado na Grã-Bretanha. O júri ouviu o depoimento de cem testemunhas desde que o inquérito começou, em setembro, em Londres.

Jean Charles de Menezes foi morto pela polícia de Londres em uma estação de metrô da capital britânica, em julho de 2005, ao ser confundido com um suspeito de tentativas de atentado ocorridas no dia anterior.

Em julgamentos anteriores, a polícia recebeu uma multa de 175 mil libras, mas nenhum envolvido foi considerado culpado.

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