Família de Jean Charles pede que renúncia não ofusque inquérito

O porta-voz da família de Jean Charles de Menezes, Erionaldo da Silva, disse à BBC que Ian Blair deveria ter renunciado ao cargo de chefe da polícia de Londres há três anos e que a decisão de fazer isso nesta quinta-feira não deveria tirar a atenção do inquérito que investiga a morte do brasileiro.

BBC Brasil |

Jean Charles foi morto por engano pela polícia em Londres em setembro de 2005. Na semana passada, um novo inquérito começou a ser realizado na Grã-Bretanha para determinar como e por que o brasileriro morreu.

O porta-voz da campanha Justiça para Jean, Assad Rehman, disse nesta quinta-feira que ficou chocado com a renúncia de Ian Blair.

"Nós vínhamos pedindo sua renúncia há muito tempo, mas estamos chocados por ele renunciar neste momento, no meio do inquérito para apurar as circunstâncias da morte de Jean Charles", disse Rehman.

"A renúncia dele neste momento, e o fato de ter dito que não está deixando o cargo por causa de nenhuma falha de sua corporação ou por pressões do cargo, reforçam nossa crença de que ele e a Polícia Metropolitana ainda se recusam a aceitar qualquer responsabilidade pela morte de Jean", acrescentou.

Blair vinha sendo criticado nos últimos anos pela forma como conduziu os eventos relacionados à morte do brasileiro, morto a tiros na estação de metrô de Stockwell após ser confundido com um homem-bomba.

Oposição

Para Dominic Grieve, representante para assuntos internos do Partido Conservador, que faz oposição ao atual governo britânico, Blair tomou a "decisão certa" ao renunciar.

"Vínhamos pedindo para que ele renunciasse por quase um ano ¿ desde as falhas contínuas e sistêmicas da Polícia Metropolitana reveladas durante o julgamento (do caso) Menezes ¿ enquanto ministros e o primeiro-ministro continuavam a expressar total confiança nele", disse Grieve.

"Está claro agora que eles mostraram uma séria falta de julgamento sobre a liderança da força policial mais importante da Grã-Bretanha", acrescentou.

Ao renunciar, Blair disse que deixou o cargo por não contar com o apoio do atual prefeito de Londres, o conservador Boris Johnson, que tomou posse em maio deste ano.

Apoio

Para Rehman, da Justiça para Jean, a única coisa que mantinha Blair no cargo era o apoio que tinha do ex-prefeito Ken Livingston.

"Nós sempre sentimos que Ian Blair perdeu apoio da população de Londres após a morte de Jean e ele estava se segurando no cargo pelas unhas nos últimos três anos", diz Rehman.

Chris Huhne, porta-voz de assuntos domésticos do Partido Liberal Democrata, também de oposição, afirma que Blair havia se tornado parte do problema na Polícia Metropolitana, e não a solução.

"Sua renúncia já devia ter ocorrido faz tempo, após uma série de episódios vergonhosos para sua corporação, incluindo contratos dados a amigos, a morte de Jean Charles de Menezes, acusações de racismo causando caos em altos níveis e a politização de seu papel durante os debates sobre a detenção de suspeitos terroristas", disse Huhne.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, no entanto, elogiou a atuação de Ian Blair à frente da polícia.

"Eu o parabenizo e a seus policiais, e obviamente quero fazer um tributo particularmente à liderança de Ian quando Londres passou pelos ataques terroristas mais sérios já realizados em solo britânico", disse Brown.

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