(acrescenta a reação da família de Jean Charles) Londres, 13 fev (EFE).- A família do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes anunciou hoje que desistiu da via judicial, após a confirmação de que nenhum policial será processado pela morte do jovem, assassinado em um vagão de metrô de Stockwell em 22 julho de 2005 ao ser confundido com um terrorista.

A Promotoria tomou a decisão após revisar as evidências que vieram à tona no ano passado no inquérito público sobre a morte do jovem.

Em comunicado, a família expressou que a decisão causou "um profundo desgosto" aos parentes.

Vivian Figueiredo, prima de Jean Charles, afirmou que o abandono da via judicial não significa que os parentes renunciaram à luta para conseguir Justiça.

Eles tentarão agora pressionar o Parlamento para que sejam elaboradas leis que permitam processar com maior facilidade os policiais que passarem dos limites de suas funções.

"Estamos todos em estado de choque e simplesmente não podemos entender como o assassinato deliberado de um homem inocente e a tentativa da Polícia metropolitana (de Londres) de acobertar isso não acaba em um processo criminal", afirmou Vivian.

Em nome da família, ela ressaltou que "a investigação trouxe a verdade à luz para que o público a visse", e lamentou que as autoridades desejem que "esqueçamos a verdade para evitar que consigamos Justiça".

"Mas nunca esqueceremos", acrescentou.

A família pediu para se reunir com os responsáveis da Promotoria, porque gostariam de explicar a eles detalhadamente as razões pelas quais os agentes policiais deveriam ter sido processados.

Os advogados que ajudaram a família de Jean Charles informaram que não desejam prolongar a batalha para não incorrer em um gasto excessivo nos cofres públicos, com a convicção de que obter uma nova investigação civil, o último recurso que resta, não significaria um passo à frente qualitativo.

No comunicado, os parentes acrescentaram que, "a teor das respostas dadas pelos membros do júri (do inquérito público sobre a morte do brasileiro), achamos que se o juiz tivesse permitido, teria sido emitida uma decisão de homicídio injustificado".

A Promotoria informou que não há evidências suficientes para processar um agente por participação na morte do brasileiro, dois meses depois que o júri se pronunciou por um veredicto denominado "aberto".

O júri, formado por dez pessoas, tomou essa decisão depois que o juiz Michael Wright negou a eles a possibilidade de um veredicto de homicídio injustificado.

Após a decisão do júri, a família exigiu à Promotoria a revisão do caso.

O advogado Stephen O'Doherty, responsável por revisar as provas, disse hoje que não encontrou evidências suficientes para rever sua decisão, tomada há mais de um ano, de não processar nenhum agente.

"Após a investigação sobre a morte de Jean Charles de Menezes e o veredicto aberto alcançado pelo júri, eu fiz uma revisão do caso à luz das novas provas surgidas da investigação", acrescentou O'Doherty.

"Cheguei à conclusão de que não há provas suficientes de que um agente em particular tenha cometido um crime em relação à trágica morte de Jean Charles", explicou o advogado.

O eletricista, de 27 anos, recebeu oito tiros (sete na cabeça e um no ombro) disparados por agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard após ser confundido com um dos autores dos atentados fracassados do dia anterior, que pretendiam ser uma imitação dos ataques de 7 de julho de 2005. EFE fpb/db

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