Família de Jean Charles critica limites impostos pelo juiz ao veredicto

LONDRES - A família de Jean Charles de Menezes, morto pela Polícia britânica, realizou hoje um protesto diante do júri do caso, antes de começar a deliberar, para criticar os limites impostos pelo juiz a seu veredicto, que não poderá ser de homicídio.

EFE |

Quatro primos de Jean Charles, morto no metrô de Londres em 22 de julho de 2005 por agentes britânicos após ser confundido com um terrorista, levantaram-se e mostraram suas camisetas, nas quais se lia: "Seu direito legal a decidir: veredicto de homicídio injustificado", informou a emissora "BBC".

Antes do protesto, em um recesso durante a recapitulação do juiz, a equipe legal da família do brasileiro - o advogado Michael Mansfield e sua auxiliar, Henrietta Hill - tinham abandonado a sala e o processo.

Diante deste fato incomum, o juiz disse ao júri que "isso não apresenta absolutamente qualquer dificuldade, nem seu ato implica em falta de respeito".

Na terça-feira, o juiz Michael Wright deu instruções para que o veredicto abranja duas opções: homicídio justificado legalmente ou veredicto aberto, descartando o homicídio injustificado, que teria aberto as portas para um processo criminal.

A família recorreu da decisão do juiz perante o Tribunal Superior de Londres, mas, por imperativo legal, a imprensa não pode divulgar a sentença desta corte até que o júri anuncie seu veredicto, o que acontecerá nos próximos dias.

O eletricista brasileiro, que tinha 27 anos, recebeu sete tiros na cabeça e um no ombro em um vagão do metrô de Londres de dois agentes após ser confundido com um dos autores dos atentados fracassados de 21 de julho de 2005 contra a rede de transporte público da capital.

Durante a investigação judicial, que começou em 22 de setembro, mais de 100 testemunhas prestaram depoimento, entre eles os agentes envolvidos, a comandante da operação, Cressida Dick, e testemunhas.

Em sua recapitulação, o juiz pediu ao júri que deixasse de lado as emoções - geradas, por exemplo, ao ver a mãe da vítima, Maria Otoni, na sala- e emitisse uma decisão "baseada nas provas".

No entanto, também recomendou que evocassem o testemunho de um dos agentes que atiraram contra o brasileiro, o qual começou a chorar ao lembrar do acontecido.

Além disso, informou que os depoimentos dos passageiros só refletiam o fato com que, em situações extremas, as versões das testemunhas oculares "costumam variar de maneira substancial", apesar de todos terem coincidido em várias coisas, como, por exemplo, que os agentes não se identificaram antes de atirar.

Além de direcionar o veredicto, o juiz pediu aos 11 membros do júri que respondessem com um simples sim ou não a uma série de perguntas sobre o fato, entre outras se crêem que os agentes se identificaram antes de atirar ou se Jean Charles se levantou de seu lugar antes de ser rendido por um agente.

A família interpretou essa incomum iniciativa do juiz como uma tentativa a mais de "impedir o júri de dar sua opinião sobre o caso".

A Polícia Metropolitana de Londres (MET) já foi julgada em outra ocasião por seu papel na morte de Jean Charles.

Em 1º de novembro de 2007, a Scotland Yard foi declarada culpada de descumprimento da lei britânica de risco trabalhista, que obriga a Polícia a velar pela integridade mesmo daqueles que não são seus funcionários, e condenada a pagar uma multa.

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