Família acusa França de desaparecimento de testemunha da morte de Hariri

Damasco, 9 abr (EFE) - A família de Mohammed Zuhair Siddiq, uma das principais testemunhas no caso do assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, acusou hoje a França de estar por trás de seu desaparecimento em Paris. Em entrevista coletiva em sua casa de Damasco reproduzida pela imprensa oficial síria, Riad Siddiq, irmão de Zuhair, revelou que o último contato que teve com ele foi há dois meses pela internet. Já Imad Siddiq, irmão mais velho da testemunha desaparecida, afirmou que as autoridades francesas poderiam inclusive ter matado Zuhair. A França poderia ter facilitado seu desaparecimento para que acabassem com ele em outro lugar. Poderia até ser que as autoridades francesas o tivessem liquidado, disse Imad.

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Ele também acusou "círculos libaneses" de ter colaborado com a França na conspiração contra seu irmão, concretamente o ministro da Informação libanês, Marwan Hamada, membro destacado das Forças de 14 de março, a maioria parlamentar anti-Síria surgida por causa do assassinato de Hariri, em 14 de fevereiro de 2005.

"Aqueles que lhe mataram querem dirigir a atenção em direção à Síria para apresentá-la como a única beneficiada do desaparecimento de uma testemunha fundamental", acrescentou Imad, em referência a seu irmão.

Na última segunda-feira à noite, a televisão libanesa "Al-Manar", do grupo xiita Hisbolá, anunciou o desaparecimento da polêmica testemunha, ex-oficial dos serviços de informação sírios, que chegou a acusar os presidentes libanês e sírio de ter orquestrado o assassinato de Hariri.

Siddiq estava sob prisão domiciliar na França após ter sido detido pela Polícia francesa em outubro de 2005, em Chatou (arredores de Paris), em aplicação de uma ordem de detenção internacional impetrada por Beirute no marco da investigação do assassinato de Hariri.

Imad Siddiq informou que sua família entregará uma carta na Embaixada francesa de Damasco para pedir explicações às autoridades francesas sobre o paradeiro de Zuhair.

"As autoridades francesas são as que têm que nos dizer se está vivo ou morto, já que elas eram as encarregadas de sua segurança e proteção", afirmou.

Em fevereiro de 2006, as autoridades francesas se recusaram a entregar Siddiq ao Líbano devido à "ausência de garantias" de que as autoridades judiciais do país não lhe condenariam à pena de morte.

EFE gb/db

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