Faltou moderação em guerra em Gaza, dizem soldados de Israel

Por Douglas Hamilton JERUSALÉM (Reuters) - Israel rejeita as acusações da Anistia Internacional, da Human Rights Watch e de agências da Organização das Nações Unidas (ONU) de que sua invasão da Faixa de Gaza em janeiro provocou mortes de civis e destruição numa escala injustificável.

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Agora, alguns dos soldados envolvidos na guerra dizem que eles eram orientados pelos comandantes a atirar primeiro e preocupar-se depois em poupar civis. Por isso, afirmam eles, as forças entraram em Gaza com o dedo no gatilho.

Em depoimentos impressos e em vídeo divulgados nesta quarta-feira pelo grupo ativista Rompendo o Silêncio, 30 soldados dizem que o objetivo do Exército israelense era de minimizar suas próprias baixas para garantir que a opinião pública do país apoiasse a operação.

"Melhor atingir um inocente do que hesitar em atingir um inimigo", é uma descrição típica de um dos soldados que não teve seu nome revelado sobre como entendeu as instruções repetidas antes da invasão e durante os 22 dias de guerra, entre 27 de dezembro e 18 de janeiro.

"Se você não tiver certeza, mate. O poder de fogo era insano. Entrávamos e as explosões eram simplesmente malucas", afirma outro militar. "No momento em que chegávamos à nossa linha inicial, simplesmente começávamos a atirar em locais suspeitos."

"Na guerra urbana, todos são seus inimigos. Não há inocentes."

Durante a operação, o objetivo declarado de Israel era de forçar o grupo islâmico Hamas e parar de disparar foguetes contra cidades no sul de Israel.

Um grupo palestino de defesa dos direitos humanos afirma que 1.417 pessoas foram mortas, entre elas 926 civis. O Exército israelense diz que o número de mortos foi de 1.166 e estima 295 mortes civis. O Estado judeu diz que dez de seus soldados e três civis do país também morreram.

Ruas inteiras em partes da Faixa de Gaza foram destruídas para minimizar os riscos de baixas israelenses por meio de armas pequenas e armadilhas com bombas. A ONU afirma que, seis meses após o conflito, Gaza começa agora a retirar 600 mil toneladas de escombros.

O Exército israelense rejeita as críticas feitas pelo relatório de 112 páginas do Rompendo o Silêncio e afirma que o documento foi "baseado em boatos". Mas, em comunicado, promete investigar qualquer reclamação formal de conduta inapropriada. Por fim, alega que suas tropas respeitaram a legislação internacional durante "combates complexos e difíceis".

Numa resposta ao relatório, o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse em comunicado: "As Forças de Defesa Israelense (FDI) são um dos Exércitos com mais moral no mundo e se comportam de acordo com o mais alto código de ética".

Ele acrescentou que qualquer organização que tenha informações críticas das ações militares israelenses "deve trazê-las a mim, como ministro da Defesa de Israel, e para o governo que comandou as FDI para restaurar a paz e a tranqüilidade às comunidades do sul".

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